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    Confinado há seis anos na embaixada do Equador em Londres, a condição física e mental de Julian Assange está em perigo, de acordo com novas avaliações clínicas realizadas.

    A médica Sondra Crosby e o psicólogo Brock Chisholm chegaram ao veredicto depois de passarem 20 horas em três dias em outubro realizando "uma avaliação física e psicológica abrangente" de Assange, informa o jornal The Guardian nesta quarta-feira (24).

    "Embora os resultados da avaliação sejam protegidos pela confidencialidade médico-paciente, nossa opinião profissional é de que seu contínuo confinamento é perigoso física e mentalmente para ele, e uma clara violação de seu direito humano à saúde", afirmou a equipe médica.

    A dupla reiterou a necessidade do fundador do WikiLeaks ter a permissão para visitar um hospital. 

    "Nossa avaliação revela que ele não teve acesso à luz solar, ventilação adequada ou espaço externo por mais de cinco anos e meio", acrescentaram Crosby e Chisholm. "Isso tem um preço físico e psicológico".

    Assange entrou na embaixada para escapar de uma possível extradição para a Suécia, onde foi acusado de estupro e agressão sexual.

    A promotoria sueca abandonou o caso em maio do ano passado, mas o fundador do WikiLeaks segue na embaixada porque teme ser preso ao deixar o local e ser extraditado para os Estados Unidos. 

    Ele recentemente ganhou cidadania equatoriana, mas o governo britânico disse que isso não altera seu status legal.

    O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, afirmou no ano passado que a prisão de Assange era uma "prioridade" dos EUA.

    Equador

    O presidente do Equador, Lenín Moreno, disse que Assange deve ser punido por ter divulgado documentos confidenciais dos Estados Unidos, mas sua vida deve ser respeitada. 

    Moreno disse estar negociando com o Reino Unido para que o fundador do WikiLeaks possa deixar a embaixada equatoriana em Londres.

    Ainda assim, o presidente equatoriano admitiu que Assange é "uma pedra no sapato, sem dúvida", para o seu governo e um problema que "nós herdamos", mas disse estar consciente de "que a vida do senhor Julian Assange poderia estar em perigo e para nós isso seria terrível"

    "Suponha que os EUA peçam sua extradição, o que não seria difícil, e nos EUA o que o senhor Assange fez seja considerado traição, isso poderia fazer com que o senhor Assange pagasse com a vida por esse erro que cometeu", alertou o mandatário equatoriano, para então dizer que em seu país não há pena de morte, mas sim o direito para cada cidadão buscar "reabilitação".

    Em 21 de janeiro, Moreno já havia expressado o desconforto causado por Assange, a quem descreveu como "um problema" e "um incômodo".

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    Tags:
    Equador, Suécia, Julian Assange, Jeff Sessions, Lenín Moreno
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