23:02 18 Dezembro 2018
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    IBGE estima que Brasil terá 19 milhões de idosos com mais de 80 anos em 2019

    Envelhecimento nos países dos BRICS: a bomba-relógio já foi armada

    ANPR/Fotos Públicas
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    O rápido envelhecimento das populações dos países do BRICS já acendeu o sinal vermelho para os governos. Como manter o crescimento das economias em meio à queda das taxas de natalidade e assegurar um padrão de vida mínimo para um contingente crescente com uma população ativa que contribui cada vez menos para a aposentadoria?

    O tema foi discutido em Pequim, durante a 1ª Reunião dos BRICS sobre envelhecimento. Dados do Fundo de População da ONU (UNFPA) dão conta de que, em 2015, os países do bloco com 60 anos ou mais tinham 380 milhões de pessoas nessa faixa etária, e até 2050 serão 940 milhões. Esse contingente representava 42% da população mundial em 2015, percentual que deverá atingir 45% em 2050.

    Para Paulo Wrobel, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), esse será um grande desafio, uma vez que a expectativa de vida praticamente dobrou na passagem do século 20 para o 21, passando da média mundial de 40 e poucos anos para 70 e poucos anos. Só no Brasil, a expectativa é de 76 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme projeções do instituto, o Brasil terá 19 milhões de pessoas com mais de 80 anos em 2060.

    "A expectativa de vida hoje da mulher japonesa é de 88 anos, na média. Para o Japão, terceira maior economia do mundo, é impossível voltar a crescer com as taxas que cresceu, porque daqui a 20 ou 30 anos mais da metade da população vai ter mais de 65 anos. Em todos os grandes países do mundo, a população está envelhecendo rapidamente, como Brasil e China, por exemplo", diz o professor.

     

    Wrobel observa que, devido à política do filho único durante anos, a China chegou a ter taxa negativa, hoje se recuperou, mas ainda é muito baixa, entre outros motivos, pelo fato de que as mulheres que saem do campo para viver nas cidades querem no máximo ter um só filho. Ele também observa que, além disso, o país  não tem um sistema de previdência social como o do Brasil. O envelhecimento da população mundial, na visão do professor da PUC-RJ, é causado por diversos fatores como o crescimento econômico, melhora no sistema de saneamento básico e os avanços da medicina. Por isso, ele afirma ser importante repensar o modelo de trabalho no Brasil e no mundo, como ocorre agora.

    "É preciso repensar a ideia que as pessoas vão trabalhar 30 anos e se aposentar. Se você entrar no mercado de trabalho aos 20 anos e se aposentar aos 50, aí você vai viver mais 40 anos financiado por quem? Pela sociedade? Mesmo nos países escandinavos, de maior padrão de vida, a situação da previdência não é simples: todos aumentaram a idade da aposentadoria, restringiram o salário final. A maioria dos países nem tem mais aposentadoria obrigatória, como no Reino Unido. Por que se aposentava aos 50 anos no Brasil? Porque se morria aos 60", diz Wrobel.

    Para o especialista, a questão é óbvia, embora reconheça que as discussões partem justamente da defesa de interesses. “A renda média do Judiciário brasileiro, na aposentadoria, é de 20 tantos, 25 mil reais e em dezembro, pelo menos uma boa parte, recebe uma coisa chamada bônus-peru, R$ 2 mil de abono. Dois mil reais é o salário médio do brasileiro. Quem está pagando esse abono-peru? Nós.”

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    Tags:
    qualidade de vida, governos, aposentadoria, sociedade, trabalho, déficit, PUC-RJ, BRICS, ONU, Paulo Wrobel, Mundo, Brasil
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