16:20 01 Dezembro 2020
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    A nomeação de Fernando Segóvia para a direção da Polícia Federal levantou suspeitas pelo fato de que ele foi indicado por políticos que são alvo das investigações da Lava Jato. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais falou com exclusividade à Sputnik Brasil e rechaçou possível interferência nas investigações.

    Segóvia comentou as atitudes do Ministério Público Federal e criticou a operação que acabou provocando a detenção do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, homem de confiança do presidente Michel Temer. Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal transportando uma mala que continha 500 mil reais, segundo a própria PF, mas, de acordo com o novo diretor-geral da PF, o simples fato de ele portar esta mala não teria configurado a materialidade do crime e, portanto, não poderia ter levado ao seu indiciamento e posterior prisão pelos agentes federais.

    O Presidente da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), Luís Antônio de Araújo Boudens, declarou à Sputnik Brasil que as primeiras declarações de Fernando Segóvia como diretor-geral da Polícia Federal de fato causaram preocupações na socieade e entre os policiais federais, mas disse não ter preocupações quanto à sua gestão.

    "Pelo que conheço do Fernando Segóvia — fomos colegas na Academia de formação de policiais federais-, eu o vejo hoje como um profissional em meio de carreira, com 21 a 22 anos de formação, e pelas suas características pessoais, posso dizer que nós, policiais federais, não temos nenhuma preocupação com a gestão do Fernando Segóvia", observou.

    Boudens admitiu a questão política na nomeação de Segóvia para a direção geral da Polícia Federal mas rechaçou qualquer possibilidade de o diretor interferir na Operação Lava Jato e em qualquer outra investigação da Polícia Federal. 

    “Não podemos negar que existe a questão política na indicação de Fernando Segóvia para a direção da Polícia Federal, assim como existe a questão dos compromissos políticos. Isso preocupa a todos. Em relação às investigações em si, assim como o [Leandro] Daiello não tinha interferência, dificilmente o Fernando Segóvia vai ter alguma interferência em investigações nossas", afirmou.  

    "Então, é muito difícil acreditar que o Fernando Segóvia – ou qualquer outro diretor da Polícia Federal – poderá interferir no rumo das investigações. De qualquer forma, nós temos de manter um monitoramento permanente para que, a qualquer sinal de possível interferência ou mesmo de maquiagem de alguma situação, a sociedade tome conhecimento imediato destes fatos. A Federação tem a capacidade de fazer esse monitoramento de forma permanente”, acrescentou. 

    O novo diretor geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, tomou posse na segunda-feira, 20 de novembro. Sua indicação para o cargo foi anunciada no dia 8, apenas 12 dias antes da posse. Segóvia, de quem se diz ser muito próximo do ex-presidente José Sarney, tem 48 anos, 22 deles passados na Polícia Federal, órgão em que exerceu várias funções, inclusive a de adido policial na embaixada do Brasil na África do Sul. Segóvia foi superintendente da Polícia Federal no Maranhão, e já cuidou do relacionamento da instituição com os indígenas assim como da gestão do patrimônio da instituição. Teve também atuação sindical em Brasília, e chegou a se candidatar à presidência da ADPF, Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal.

    A Sputnik Brasil convidou a ADPF a também se manifestar sobre os possíveis rumos da Operação Lava Jato no âmbito da Polícia Federal com Fernando Segóvia no comando da instituição. A assessoria de imprensa da ADPF informou que o delegado Carlos Eduardo Sobral está deixando a presidência da instituição em 1º de dezembro próximo e, até lá, ele não pretende fazer quaisquer manifestações públicas.

    Da mesma forma, a Sputnik Brasil procurou o departamento de imprensa da Polícia Federal mas não obteve resposta da instituição.  

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    Tags:
    investigação, Operação Lava Jato, Polícia Federal, Rodrigo Rocha Loures, Fernando Segóvia, Brasil
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