05:12 24 Maio 2018
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    Avião russo Tu-154M-LK-1 que realizará voos de vigilância no ámbito do Tratado de Céus Abertos

    EUA abrem 'nova frente' em sua disputa com Rússia

    © Foto: avsim.su
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    Os EUA planejam restringir os voos de vigilância da aviação russa sobre o território de Alasca e Havaí. O jornalista russo Gennady Petrov falou sobre as consequências dessa medida.

    Espera-se que as novas restrições entrem em vigor a partir de 1º de janeiro de 2018. De acordo com a mídia norte-americana, esta medida é a resposta dos EUA às alegadas violações do Tratado de Céus Abertos por parte da Rússia.

    O jornalista russo Gennady Petrov sublinhou no seu artigo para a revista russa Expert que as restrições de Washington podem pôr fim ao documento.

    Recentemente, a Rússia introduziu o sublimite de 500 km para os voos dos aviões da OTAN na região de Kaliningrado.

    Segundo o jornalista, Moscou teve motivos para fazê-lo. Em particular, o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, lembrou que a Rússia ficou desapontada com a interpretação do tratado pelos EUA.

    Após a limitação dos voos da OTAN sobre Kaliningrado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia propôs aos EUA negociar para encontrar uma solução que satisfaça ambas as partes e pediu a Washington para "não iniciar uma espiral de sanções".

    "Desta maneira, Moscou provou estar preparada para realizar um diálogo com Washington. O problema é que esse diálogo será difícil: o Tratado de Céus Abertos foi assinado em outra realidade, e hoje a situação é diferente", explicou Petrov.

    O Tratado de Céus Abertos foi assinado em 24 de março de 1992 por 23 países-membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). A Rússia ratificou o tratado em 2001. 

    Os participantes do acordo podem realizar voos sobre territórios dos outros países-membros a fim de manter controle da atividade militar. Naquele momento, o documento representava um símbolo da aproximação entre Moscou e Washington após décadas de dura confrontação.

    Entretanto, agora tanto a Rússia como os EUA têm motivos para duvidar da necessidade e eficácia do tratado, disse o jornalista.

    Nos últimos anos, sob diferentes pretextos, os norte-americanos têm tentado impedir as inspeções aéreas russas sobre suas instalações militares no Oceano Pacífico.

    Durante a presidência de Obama, os congressistas propuseram repetidamente a proibição de voos de aviões russos sobre o território norte-americano.

    Petrov sublinhou que a anulação do Tratado de Céus Abertos não terá consequências catastróficas. O perigo real de rejeição desse tratado é que isso poderia levar à revisão de outros acordos básicos para a segurança internacional. 

    "É possível que a próxima vítima do confronto entre a Rússia e os EUA seja o Tratado de Redução de Armas Estratégicas", acrescentou ele.

    O Tratado de Redução de Armas Estratégicas foi assinado em 2010 e permite que ambas as partes realizem inspeções de instalações militares.

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    Tags:
    aviação, relações bilaterais, Tratado Céus Abertos, EUA, Rússia
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