13:50 12 Dezembro 2017
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    Navio de patrulha oceânico da classe Knud Rasmussen

    Dinamarca teria construído navio de última geração com trabalho escravo norte-coreano?

    CC BY-SA 3.0 / Flemming Sørensen / Knud Rasmussen
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    Após ter sido revelado que o novo navio da Dinamarca, Lauge Koch, foi construído com uso de trabalho escravo norte-coreano, surgiram suspeitas de que a verba dos impostos dos contribuintes dinamarqueses poderia ter acabado nos programas nuclear e de mísseis de Pyongyang.

    Apenas uma semana depois de a Dinamarca ter condenado a Coreia do Norte por incessantes testes nucleares, durante uma reunião com o embaixador norte-coreano no país, a emissora DR revelou que Copenhague poderia ter financiado de modo indireto o programa nuclear de Pyongyang.

    O documentário "The Warship's Secret" (O Segredo do Navio de Guerra), lançado em 26 de setembro, diz que o navio dinamarquês de última geração Lauge Koch teria sido construído na Polônia por escravos norte-coreanos. As acusações foram justificadas por contratos, recibos e testemunhas.

    O Lauge Koch, que custou à Dinamarca mais de US$ 80 milhões (R$ 253, 16 milhões) e será revelado em dezembro, é obra da construtora de navios Karstsensens Skibsvaerft, que terceirizou a construção para a Crist, na Polônia, que, por sua vez, recrutou um subcontratante polonês que recorreu a trabalhadores norte-coreanos pela companhia Rungrado. A empresa pública Rungrado foi penalizada pelas sanções por alegado comércio de tecnologia de mísseis.

    Por enquanto, não está claro quanto dinheiro dos contribuintes dinamarqueses foi parar na Coreia do Norte.

    No entanto, de acordo com dados da ONU, Pyongyang recebe até US$ 2 bilhões (R$ 6,3 bilhões) com seus trabalhadores estrangeiros. Desde a chegada ao poder de Kim Jong-un, o número de trabalhadores norte-coreanos no exterior tem subido, totalizando agora cerca de 100 mil.

    "Trabalhadores norte-coreanos no exterior são uma importante fonte de renda, usada para desenvolver programas nuclear e de míssil da Coreia do Norte", disse Jai-chul Choi, embaixador da Coreia do Sul na Dinamarca no documentário da DR. "Caso a verba de impostos dos contribuintes tenha sido usada para programas nuclear e de mísseis, será uma catástrofe", acrescentou.

    Alguns partidos dinamarqueses já exigiram explicações do ministro da Defesa do país, Claus Hjort Frederiksen.

    "É um caso constrangedor para as autoridades polonesas, mas também é um caso constrangedor para o Ministério da Defesa dinamarquês", disse o porta-voz do Partido Social-Liberal da Dinamarca, Martin Lidegaard.

    Primeiro, as Forças Armadas do país e a construtora Karstsensens Skibsvaerft negaram o envolvimento de norte-coreanos na construção do navio. No entanto, o brigadeiro-general Anders Maerkedahl admitiu ser impossível excluir a participação dos mesmos. No documentário, vários trabalhadores poloneses confirmaram que alguns norte-coreanos teriam trabalhado na construção do navio como soldadores.

    "Seria completamente escandaloso caso seja verdade que trabalho escravo norte-coreano tenha sido usado em um país da UE como a Polônia. Mas eu não vejo o que pode ser feito para investigar as alegações sobre a construção do Lauge Koch agora, alguns anos depois de o navio ter sido concluído", escreveu o ministro da Defesa dinamarquês, Claus Hjort Frederiksen, em e-mail à DR.

    Segundo o documentário, os trabalhadores norte-coreanos vivem em condições próximas da escravidão, privados de seus passaportes e da liberdade de circulação, sendo vigiados constantemente e trabalhando até 20 horas por dia. Anteriormente, algumas organizações não governamentais descreveram os norte-coreanos como "escravos modernos".

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    suspeita, trabalho escravo, construção naval, navio, Kim Jong-un, Polônia, Coreia do Norte, Dinamarca
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