09:14 16 Dezembro 2017
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    Armas nucleares

    Tratado da ONU sobre Proibição de Armas Nucleares sem potências nucleares: vai funcionar?

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    Os analistas entrevistados pela Sputnik Internacional não são unânimes no que se refere às perspectivas do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, assinado por muitos países, porque nenhum Estado que possui armas nucleares aderiu ao documento.

    O primeiro acordo oficial que proíbe as armas nucleares foi adotado no dia 7 de julho deste ano por mais de 120 países da ONU. O documento proíbe todas as atividades ligadas às armas nucleares, incluindo o desenvolvimento, produção, acumulação e posse destas armas.

    O tratado foi aberto para adesão na quarta-feira na sede da ONU em Nova York. Ele já foi assinado no primeiro dia por mais de 50 países, incluindo a Austrália, Brasil, Indonésia, Nova Zelândia e África do Sul. Contudo, as potências nucleares boicotaram a assinatura. 

    De acordo com Marc Finaud, principal assessor do Programa de Desafios Emergentes de Segurança e Grupo de Proliferação de Armas do Centro de Genebra para a Política de Segurança, a assinatura do tratado, mesmo sem as potências nucleares, já é um "evento histórico".

    "É um evento histórico, apesar da recusa das potências nucleares de aderir a ele…Quando o tratado entrar em vigor (depois de 50 países o terem ratificado), será mais difícil para os países que possuem armas nucleares, sendo eles ou não parte do Tratado de Não-Proliferação, continuarem a afirmar que têm armas nucleares legitimamente para a proteção da sua segurança e dos seus aliados", disse Marc Funaud à Sputnik, adicionando que o tratado colmatará a lacuna na lei proibindo todas as armas de destruição em massa.

    O especialista opina que a sociedade civil nos países nucleares pode pressionar os governos a fim de atingir o desarmamento nuclear.

    As palavras de Funaud encontraram apoio de Goetz Neuneck, professor de física e atual codiretor do Instituto de Pesquisas de Paz e Política de Segurança na Universidade de Hamburgo.

    "O tratado é importante porque mostra a vontade de dois terços dos membros da ONU de não considerar as armas nucleares como 'armas normais', e de que estas devem ser proibidas por lei. As armas biológicas e químicas estão proibidas pela lei internacional. As armas nucleares pertencem à mesma categoria e não podem ser usadas em caso algum. Elas causam danos catastróficos para as nações e incitam outros a criar o seu próprio arsenal", afirmou ele na entrevista à Sputnik.

    Ele prosseguiu dizendo que alguns países nucleares não continuaram as suas obrigações de desarmamento e devem voltar à mesa das negociações.

    Ao mesmo tempo, Gary Samore, diretor executivo para pesquisas no Centro Belfer de Ciências e Relações Internacionais na Escola de Administração Kennedy da Universidade de Harvard, expressou dúvidas quanto às perspectivas do tratado:

    "O Tratado sobre Proibição de Armas Nucleares não é importante para o desarmamento nuclear internacional porque nenhum dos nove países que possuem armas nucleares estão prontos para aceitar o documento".

    Shen Dingli, diretor assistente no Instituto dos Estudos Internacionais e diretor do Programa de Controle de Armas e Estudos de Segurança Regionais na Universidade de Fudan, tem a mesma opinião no que se refere à não-participação dos países nucleares no tratado:

    "Sem a assinatura pelo P-5, o tratado não será eficiente para realmente proibir todas as armas nucleares", disse Dingli à Sputnik.

    A lista dos 9 países que oficialmente ou alegadamente têm armas nucleares, incluindo os 5 membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, integra a China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos, bem como a Índia, Israel, Coreia do Norte e Paquistão.

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    Tags:
    armas de destruição em massa, crise, Tratado para a proibição de Armas Nucleares, armas nucleares, acordo nuclear, Conselho de Segurança da ONU, ONU
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