00:43 06 Dezembro 2019
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    A bandeira da Síria

    Rússia, Israel e EUA tiveram reuniões secretas sobre Síria, diz mídia

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    Israel, EUA e a Rússia teriam realizado no início de julho uma série de negociações secretas, nas quais discutiram o armistício no sul da Síria e criação de zonas de desescalada nas fronteiras sírio-israelense e sírio-jordaniana, informou o jornal israelense Haaretz, citando funcionários de Israel e diplomatas ocidentais.

    Segundo as informações, os encontros teriam sido realizados na capital jordaniana de Amã bem como em uma capital europeia antes de os EUA e a Rússia terem chegado a um acordo sobre a Síria. A parte israelense teria se posicionado contra as zonas de desescalada, afirmando que Moscou e Washington não prestam atenção suficiente ao fato de as tropas iranianas permanecerem na Síria.

    Conforme fontes do Haaretz, que preferiram não se identificar, das negociações participaram diplomatas e representantes da Inteligência de Israel, Rússia e EUA.

    A parte israelense teria sido representada por funcionários do Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Defesa, do serviço secreto Mossad e das Forças Armadas do país. Já os Estados Unidos foram representados pelo enviado especial dos Estados Unidos para a Síria, Michael Ratney, entre outros. A delegação russa teria sido chefiada pelo enviado especial do presidente da Rússia para a Síria, Aleksandr Lavrentiev.

    Segundo escreve o jornal, em Amã decorreram, no mesmo dia, duas reuniões dedicadas ao armistício na Síria.

    Na primeira reunião teriam participado os representantes de Israel, Rússia e EUA, onde Tel Aviv expressou seu ponto de vista a Moscou e a Washington. A segunda teria contado com a participação de Israel, EUA e Jordânia; nesta última, os pontos de vista de Tel Aviv e de Amã se coincidiram.

    Uns dias depois, os representantes de Israel, Rússia e EUA teriam se reunido em uma das capitais europeias. Segundo a fonte do jornal, nestas negociações participaram funcionários do mais alto nível, diferentemente das realizadas na Jordânia.

    Como informaram funcionários israelenses, as discussões principais tinham a ver com o fato de os norte-americanos e russos considerarem o armistício e criação de zonas de desescalada como medidas para estabilizar a situação e juntar esforços no combate ao Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia). Israel, por sua vez, acredita que o acordo deve ser visto a longo prazo e em uma perspectiva estratégica, focando, claro, no grau da influência iraniana na Síria após o fim da guerra.

    Segundo o Haaretz, a parte israelense pediu à Rússia e aos EUA para exigir a retirada das forças iranianas do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, do movimento libanês Hezbollah e dos militantes xiitas. Caso contrário, Israel e a Jordânia continuariam sendo ameaçados.

    De acordo com a fonte citada, Israel está descontente com o acordo firmado pela Rússia e EUA por não terem mencionado o Irã, o Hezbollah, nem mesmo a presença das forças iranianas em outras partes da Síria.

    No dia 7 de julho, foi informado que especialistas da Rússia, EUA e Jordânia acordaram o memorando sobre a criação da zona de desescalada no sudoeste da Síria. A parte russa e norte-americana assumiram o compromisso de assegurar o cessar-fogo, que entrou em vigor nesta zona em 9 de julho.

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    Tags:
    conflito armado, armistício, negociações, Síria, EUA, Rússia, Israel
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