02:27 27 Fevereiro 2020
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    Os incessantes esforços de Washington para cercar e castigar os países que protegem seus próprios interesses nacionais e mantêm sua soberania provocarão o isolamento dos Estados Unidos, resumiu o analista geopolítico Gilbert Mercier em entrevista à Sputnik.

    Mercier, autor do livro "The Orwellian Empire", que fala da gradual "decadência" de Washington como império, e editor-chefe do portal News Junkie Post, assegura que a agenda antirrussa não desapareceu das prioridades dos políticos americanos.

    "Qualquer país ou grupo de países que desafie a hegemonia americana será, em última instância, um objetivo para o império, [alvo] econômico e eventualmente militar, através de guerras subsidiárias ou revoluções falsas", afirmou o analista.

    "Por mais que seja paradoxal, a incessante necessidade americana de isolar e inclusive castigar os países com valor para manter sua soberania nacional acabará isolando os próprios EUA e degradando sua influência global. A Rússia, o Irã, a Coreia do Norte e agora a Venezuela — que está na mira imediata do 'império' através de uma política de mudança de regime disfarçada de revolução — todos [estes países] são exemplos [de resistência]", explicou.

    Deste modo, armadilhados na mentalidade da Guerra Fria, os "falcões" e os neoconservadores dos EUA continuam batendo seus tambores de guerra sobre ameaças fictícias, considerou.

    "Algumas pessoas no Pentágono e em Washington, os chamados 'think tanks' caíram em delírio, crendo e falando publicamente que os militares americanos podem suportar e ganhar, ao mesmo tempo, a Rússia e a China. Isso, naturalmente, não tem qualquer base racional", assegurou Mercier à Sputnik.

    Enquanto isso, os governos europeus estão frustrados com a política externa de Washington que ameaça prejudicar a estabilidade e a prosperidade da União Europeia.

    "A impugnada e imprudente lei de sanções foi enfrentada com uma forte oposição dos líderes europeus e poderia ser um ponto de reviravolta para finalmente influenciar não somente na opinião dos políticos, mas na opinião pública europeia", assinalou Mercier.

    De acordo com o especialista, caso a UE obtenha a independência geopolítica e militar dos EUA, poderia desempenhar um papel de equilibrador.

    Mercier considera a OTAN como "ferramenta imperial inteligente para extorquir um tributo dos Estados vassalos e justificar a ocupação militar americana", por isso os europeus precisam reconsiderar sua participação neste bloco militar, opinou.

    Apesar dos objetivos declarados da Aliança Atlântica, na realidade é um modo americano de garantir sua presença militar em um país-membro e promover a venda de armas americanas para satisfazer os interesses da indústria armamentista.

    "A verdade inconveniente para o 'establishment' dos EUA consiste em que cada império tenha sua data de término, e Washington está se aproximando dela", resumiu.

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    Tags:
    geopolítica, OTAN, ONU, União Europeia, Europa, EUA
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