09:44 20 Setembro 2017
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    Navio chinês Huangshan, à esquerda, ao lado do navio antissubmarino russo Almirante Tributs (foto de arquivo)

    Saiba as metas dos primeiros treinamentos navais sino-russos no mar Báltico

    © AP Photo/ Zha Chunming/Xinhua
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    A China realizará pela primeira vez treinamentos navais conjuntos com a Rússia no mar Báltico. Esta decisão marca um momento muito importante nas relações sino-russas, demonstrando que o nível de cooperação na área militar é muito alto, comentou o especialista militar Vasily Kashin para a Sputnik China.

    A China enviará ao Báltico seu mais novo destróier Changsha, do projeto 052D, a fragata Yuncheng, do projeto 054А, e transporte auxiliar. Esta não é a primeira vez que navios chineses visitam este mar. Em outubro de 2015, um grupo naval parecido realizou uma visita de cortesia de cinco dias à Polônia.

    Desta vez, o objetivo é que sejam realizados, em julho, treinamentos conjuntos com a Rússia Cooperação Marítima (Joint Sea) 2017. No mar Báltico será efetuada a primeira fase, enquanto a segunda (e provavelmente de maior escala) decorrerá no mar do Japão (também conhecido como mar do Leste) ou no mar de Okhotsk, em setembro. Como sempre, as partes tentam sublinhar o caráter "humanitário" e "antiterrorista" dos exercícios.

    No entanto, sabe-se que todas as edições anteriores dos exercícios, visaram, de fato, treinar a coordenação em condições de uma guerra local, repelindo ataques aéreos, ataques de submarinos e uso de mísseis antinavios.

    Em 2015, a Rússia e a China realizaram treinamentos de duas fases, mas naquela vez a primeira fase decorreu no leste da bacia do Mediterrâneo, que é tradicionalmente uma zona de presença militar de todas as grandes potências. O mar Báltico, onde serão organizados os exercícios deste ano, está atualmente no centro das tensões e divergências entre a Rússia e a OTAN, mostradas em várias notícias sobre treinamentos, intercepções aéreas e voos de reconhecimento.

    Anteriormente, a mídia citou as palavras do ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Linas Linkevicius, sobre os treinamentos sino-russos no mar Báltico. Segundo ele, tal ação pode provocar o aumento da tensão na região.

    Pode-se dizer que, desde 2015, os exercícios conjuntos entre Rússia e China vêm se aproximando dos potenciais "pontos de guerra" nas fronteiras dos dois países. No entanto, tais medidas acontecem paralelamente com a escalada presença das tropas dos aliados dos EUA na Ásia. Em 2016, a Grã-Bretanha e a França intensificaram de modo significativo sua política no oceano Pacífico, assumindo uma aposição dura em relação à China e ao mar do Sul da China disputado.

    Em março de 2017, a França enviou um navio Mistral em direção ao oeste do oceano Pacífico para realizar treinamentos conjuntos com EUA, Japão e Grã-Bretanha. A China não deve ter gostado da interferência Ocidental nos assuntos da outra parte do mundo, servindo isto de pretexto para enviar sua frota ao mar Báltico.

    Vale destacar que a China está desenvolvendo uma grande frota oceânica, destinada a operações nas regiões longínquas do oceano global. A frota chinesa está explorando passo a passo o oceano Atlântico, por isso, os treinamentos no mar Báltico, bem como navegação prolongada nesta área, permitirão que tripulações conheçam melhor as condições locais. Pode-se pressupor que além dos navios, no oceano Atlântico, a China enviará ao norte do oceano Atlântico seus submarinos, o que levará a uma situação naval na região ainda mais agitada.

    Vasily Kashin para a Sputnik China

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    Tags:
    cooperação militar, exercícios navais, oceano Atlântico, Mar Báltico, Rússia, China
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