13:31 27 Outubro 2020
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    A primeira balsa de passageiros da nova linha marítima conectando o porto norte-coreano de Rajin com Vladivostok chegou em 18 de maio à cidade russa. Esta é uma medida de resposta às novas restrições contra a Coreia do Norte aprovadas recentemente pelo Congresso dos EUA, acredita Aleksandr Khrolenko, colunista da Sputnik.

    O projeto de lei com novas medidas restritivas relacionadas com o programa nuclear norte-coreano prevê, entre outras coisas, um "controle especial" por parte dos EUA dos portos marítimos de vários países, entre os quais os portos do Extremo Oriente russo de Vladivostok, Nakhodka e Vanino.

    Em 2016, o presidente russo Vladimir Putin assinou um decreto sobre as medidas a tomar na sequência da aplicação da resolução 2270 do Conselho de Segurança da ONU, datado de 2 de março de 2016, que regula a aplicação das restrições contra Pyongyang. A lista de limitações ocupa 30 páginas. Particularmente, as sanções proíbem a venda de quaisquer tipos de armas convencionais à Coreia do Norte e limitam significativamente as exportações norte-coreanas de carvão, ferro, ouro, titânio e minerais naturais raros do país.

    Não obstante, nenhuma nação do mundo, nem organização internacional, autorizam os EUA a controlar o cumprimento das resoluções adoptadas pelo Conselho de Segurança da ONU através de ações policiais ou outros métodos.

    "O projeto de lei do Congresso americano põe em causa a atividade econômica internacional, a soberania da Rússia, mas sobretudo — a sanidade mental dos autores do documento", acredita Khrolenko.

    Os obstáculos para controle americano

    Os EUA têm a intenção de controlar quais os navios que chegam à Rússia e aos outros países — tais como a China, a Síria e o Irã — e quais as mercadorias que são transportadas para os portos norte-coreanos, assinala o jornalista.

    Em conformidade com o projeto de lei, se Washington considerar que uma rota ou uma carga são suspeitas, ela poderá realizar ações policiais e impor sanções contra os proprietários dos navios e das cargas. Além disso, os serviços secretos americanos serão capazes de obter permissão para inspecionar embarcações e aeronaves que tenham visitado a Coreia do Norte nos últimos 365 dias.

    De acordo com o documento, os EUA proibirão também a todos os países do mundo contratar cidadãos norte-coreanos, que poderiam acabar financiando o desenvolvimento de programas nucleares através de um emprego no estrangeiro.

    Não é de estranhar que a iniciativa dos EUA tenha causado indignação na Rússia, sublinha o colunista.

    "Espero que este projeto de lei nunca seja implementado, sendo que sua aplicação significaria o desenvolvimento de uma estratégia de força, de inspeções forçadas de todos os navios por parte da Marinha dos EUA. Esta estratégia de força não tem sentido, porque implicaria uma declaração de guerra", comenta Konstantin Kosachev, chefe do Comitê Internacional do Conselho da Federação (Senado) russo.

    Entretanto, uma coisa é querer e outra é poder, destaca Khrolenko. Washington não pode controlar nem todos os portos, nem a atividade econômica dos Estados independentes, podendo só observar as atividades portuárias do Extremo Oriente russo à distância, explica o colunista.

    As informações sobre o movimento marítimo através dos portos russos são confidenciais e podem ser entregues a outro Estado somente após a aprovação prévia por parte das autoridades competentes. De outra forma, isso implicaria a revelação de segredos comerciais, segredos de Estado, ou seja, espionagem, com a consequente responsabilidade penal.

    Os EUA podem solicitar à Rússia e aos outros países a informação sobre o transporte marítimo, mas estes não têm nenhuma obrigação de proporcionar este tipo de documentos. Além disso, não existem acordos nem bilaterais nem internacionais quanto ao assunto.

    No entanto, Washington é capaz de obter as informações de maneira independente, utilizando os meios de inteligência espacial ao seu alcance, o "hackeamento" da base de dados dos portos, ou através da ajuda dos agentes locais. Também pode inspecionar os navios quanto estes se encontram em águas internacionais.

    "Tudo é possível, mas tendo em conta o volume total do trânsito marítimo e as capacidades das forças navais dos países mencionados anteriormente, o controle se converte em uma atividade ingrata e perigosa", adverte Khrolenko.

    Por que a Rússia aposta na nova linha marítima com a Coreia do Norte?

    A abertura de uma linha de carga e de passageiros desde Rajin até Vladivostok é uma medida que se enquadra nas políticas do Governo russo de desenvolvimento social e econômico do Extremo Oriente.

    A introdução do regime de porto franco em Vladivostok contribui para o afluxo de turistas estrangeiros. O turismo e os contatos econômicos, por sua vez, são importantes na hora de criar um clima favorável de investimentos, explica o autor.

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    Tags:
    rota marítima, navio, Conselho de Segurança da ONU, Congresso dos EUA, ONU, Vladivostok, Coreia do Norte, EUA, Rússia
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