11:58 30 Outubro 2020
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    A indiferença das autoridades é o principal combustível do aumento da popularidade dos partidos de direita em toda a Europa. É o que mostra uma pesquisa feita pela TNS Global a pedido da Sputnik.

    A pesquisa da TNS Global para a agência de notícias Sputnik mostrou que mais de quatro em cada dez alemães (43%) disseram que uma das maiores razões para o crescimento da popularidade de partidos de direita na Europa é o fato do eleitorado ter sentido que promessas vazias não foram cumpridas.

    A mesma opinião foi compartilhada por 33% dos entrevistados na Grã-Bretanha e 40% dos ouvidos na França.

    De acordo com o especialista político Avigdor Eskin, parte da conclusão está intimamente ligada aos partidos políticos tradicionais.

    “Muitos europeus explicaram a sua escolha [por partidos de direita] dizendo que ‘por um longo período todos os partidos tradicionais ofereceram programas políticos praticamente idênticos’. Isto é, estamos testemunhando uma crise profunda do sistema e da ordem política atual”, escreveu Eskin à RIA Novosti.

    “A perda de confiança nos políticos e no sistema social como um todo é a raiz do problema, e a insatisfação com a chegada de imigrantes pode ser vista como uma consequência”, completou o especialista.

    Em entrevista ao Sputnik, o especialista político Alexander Kamkin afirmou que a crise migratória tornou-se a gota d’ água para os europeus. Ele acredita que o crescimento do sentimento de direita no continente começou há muitos anos, mas a recente crise dos refugiados “foi demais” para ser suportada.

    “A crise migratória foi a gota d’ água, mas o crescimento dos sentimentos de direita podia ser observado antes disso. Esses sentimentos compõem um espectro bem amplo, incluindo o medo do excesso no desembarque de imigrantes, e as tentativas de preservar algumas tradições nacionais”, ponderou Kamkin.

    Outro aspecto importante, na opinião de Kamkin, é que os movimentos de direita possam ser divididos entre moderados e radicais. Geralmente ambos são misturados, o que leva a alguma confusão.

    “Neo-nazistas, diversos não-políticos e outros grupos políticos são agrupados todos juntos. Isto leva a uma certa confusão. Quando as pessoas falam sobre o crescimento dos sentimentos de ultradireita, e querem indicar, por exemplo, a AfD [Alternative para Alemanha, partido de extrema direita alemão], isso está incorreto”, comentou.

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    Tags:
    conservadorismo, ultranacionalismo, ultradireita, política, eleições, TNS Global, Frente Nacional, AfD, Nigel Farage, Geert Wilders, Frauke Petry, Marine Le Pen, alexander kamkin, avidgor eskin, União Europeia, Leste Europeu, Europa Oriental, Europa Central, Europa
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