10:01 22 Agosto 2017
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    Bonecas tradicionais russas, 'matryoshkas', com imagens de Trump, Putin e Clinton

    Usina de guerra híbrida: como se fabricam notícias antirrussas

    © AFP 2017/ Kirill KUDRYAVTSEV
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    Não é um segredo que a mídia americana não se cansa de apresentar a Rússia como um “supervilão omnipresente”, tentando incutir o medo de Moscou nos seus cidadãos e os distrair dos problemas internos, diz o fundador do portal The Intercept Glenn Greenvald.

    "Putin, bem como os terroristas da Al-Qaeda e os comunistas soviéticos anteriormente, está [hoje em dia] por toda a parte. A Rússia está por trás de todas as desgraças, principalmente, claro, por trás da derrota de Hillary Clinton nas eleições [presidenciais de 2016]. E se alguém se atreve a questionar isso, ele passa automaticamente a ser considerado como um dos traidores que, provavelmente, trabalham pessoalmente para Putin", observa o jornalista da Intercept.

    Ideias parecidas foram expressas pela editora-chefe da revista Nation, Katrina vanden Heuvel, em uma coluna no jornal Washington Post. Segundo ela, muitos liberais americanos, para tentarem minar as posições de Trump, fizeram ressurgir uma onda de neo-macartismo, ou seja, o descrédito de todos que tentem aliviar as tensões entre a Rússia e os EUA.

    Ao mesmo tempo, qualquer um que duvide que as acusações contra a Rússia em relação aos ciberataques sejam fundamentadas é logo chamado de "apologista de Putin" pelos seus críticos.

    Greenvald também chama a atenção para um artigo escrito pelo jornalista americano do jornal Guardian, Keith Gassen, no qual se analisam e se rechaçam as declarações histéricas, ignorantes e manipuladoras sobre as autoridades russas que dominam a agenda midiática americana.

    Alias, Gessen usa o termo "putinologia", que o jornalista caracteriza como "invenção de comentários e artigos analíticos sobre Putin e seus motivos". Na maioria dos casos, tais matérias se baseiam em informações inerentemente fragmentadas e frequentemente absolutamente falsificadas.

    Nestes artigos, o presidente russo desempenha um papel de "para-raios". Sua imagem permite a muitas mídias americanas explicarem todos os problemas do país com uma influência nociva do estrangeiro e ajuda o Partido Democrata a se livrar da necessidade de analisar suas falhas.

    A obsessão pela ameaça russa também distrai a sociedade da corrupção omnipresente que atravessa a elite governante dos EUA, acredita o jornalista do Guardian.

    "A longo prazo, jogar a carta russa não é apenas uma decisão política ruim, mas também uma falência intelectual e moral. É uma tentativa de atribuir a culpa pelos problemas profundos e persistentes do nosso país a uma potência estrangeira", observou Keith Gassen.

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    Tags:
    propaganda, guerra midiática, The Washington Post, The Guardian, EUA, Rússia
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