14:01 16 Junho 2019
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    Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenbeg, chefiando a reunião dos ministros da Defesa dos países-membros da aliança em Bruxelas, em 27 de outubro de 2016

    Revista norte-americana descreve cenário de colapso da OTAN até 2020

    © REUTERS / Francois Lenoir
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    Até o ano de 2020 a única coisa que restará da OTAN é a sua sede em Bruxelas, opina o diretor do Conselho Europeu de Relações Exteriores, Jeremy Shapiro.

    Em seu artigo para a revista norte-americana Foreign Policy, o especialista descreve o cenário em que "a outrora aliança mais forte e mais bem-sucedida da história" se transforma em uma "concha vazia" e se destrói nos próximos três anos.

    Na opinião de Shapiro, o colapso da OTAN causará muita dor. O processo se iniciará pouco tempo após a posse de Trump que, apesar de estar cercado por ministros-apoiadores da Aliança, mudará seu curso e passará a chamar o bloco de organização obsoleta.

    No entanto, continua o especialista, a situação na OTAN continuará a mesma por um tempo: tropas americanas permanecerão na Europa, aviões continuarão patrulhando os Países Bálticos e soldados participarão de novos exercícios.

    O bloco conservará o seu significado simbólico, mas na realidade a OTAN deixará de funcionar.

    O exemplo que Shapiro cita é o reforço da agressão russa contra a Ucrânia em meados de 2017. Segundo ele, a OTAN vai analisar essa situação, mas não chegará a consenso sobre novas sanções e envio de tropas.

    Os EUA estarão ocupados construindo o muro na fronteira com o México. A União Europeia começará a enviar armas à Ucrânia e treinar militares ucranianos. Por sua vez, OTAN anunciará a sua neutralidade, acredita o especialista.

    Além disso, em 2018, no Egito acontecerá um novo golpe de Estado devido à falência de economia, que causará um grande fluxo de refugiados à Grécia e Itália. E a OTAN tentará agir nesta situação – a apanhar embarcações com migrantes e a mandá-los de volta ao país de origem. Mas os países da Europa Oriental não vão querer apoiar essa iniciativa da Aliança. Por seu turno, os EUA não apoiarão nenhum dos lados. Como resultado, nenhuma decisão será tomada, aponta Shapiro.

    Em 2019, na previsão do especialista, vai ocorrer um golpe em Bagdá, o Irã vai organizar esse golpe em resposta às buscas das embarcações iranianas pelos norte-americanos no Golfo Pérsico. As forças conjuntas do Iraque e Irã atacarão tropas turcas no Curdistão iraquiano e passarão a armar milícias curdas no sudeste da Turquia.
    Após isso, a Turquia, membro da OTAN, vai pedir que a Aliança reconheça as ações do Irã como agressão e que ajude ao seu aliado. Em seguida, a maioria dos países vai desistir disso, o que provocará a renúncia do secretário-geral Jens Stoltenberg.

    Shapiro destaca que não faz sentido chefiar o bloco que não reage aos pedidos dos seus integrantes.

    Porta-aviões Admiral Kuznetsov no Atlântico
    © Sputnik / Serviço de Imprensa da Frota do Norte/Andrey Luzik/USO EDITORIAL
    Finalmente, o ex-chanceler da Alemanha, Gerhard Schroder se tornará o secretário-geral da OTAN. A Rússia saudará a sua nomeação. Moscou não vai se importar com a adesão de Montenegro e da Sérvia à OTAN. Porém, Schroder não vai conseguir salvar a Aliança do colapso. Os exercícios da OTAN deixarão de ser realizadas, o orçamento do bloco não vai crescer e muitos países não comparecerão às cúpulas da Aliança, prevê o especialista.

    Todos vão compreender o porquê da inexistência da OTAN. Durante vários anos, os membros da Aliança não puderam chegar a um entendimento em várias questões e esqueceram o principal: a necessidade de respeitar compromissos na segurança mútua, opina Shapiro.

    Afinal, com Trump a solidariedade dos integrantes da Aliança desaparecerá completamente. Seu apelo "América em primeiro lugar" significará que os aliados dos EUA já não terão interesse em uma aliança militar com Washington.

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    Tags:
    exercícios, bloco militar, refugiados, aliança, Foreign Policy, OTAN, Curdistão, México, Itália, Grécia, Países Bálticos, Golfo Pérsico, Europa Oriental, Turquia, Irã, Iraque, EUA
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