07:50 17 Agosto 2019
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    As bandeiras dos países membros da OTAN perto da sede da OTAN em Bruxelas

    UE se sente confortável na OTAN, acreditando que 'Tio Sam a defenderá' caso necessário

    © AP Photo / Geert Vanden Wijngaert
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    O presidente do Comitê Militar da OTAN, general tcheco Petr Pavel, afirma que a União Europeia não tem nenhuma ambição de criar um exército pan-europeu. A Sputnik República Tcheca pediu ao observador militar russo Viktor Baranets para comentar a declaração do general tcheco.

    Baranets, especialista em assuntos de defesa no jornal russo Komsomolskaya Pravda, afirma que as palavras de Pavel foram pronunciadas na sequência da retórica controversa do presidente recém-eleito dos EUA, Donald Trump, que durante sua campanha eleitoral afirmou que a OTAN é uma organização "ultrapassada" e ineficiente, chegando até a ameaçar dissolvê-la.

    As declarações de Trump desencadearam uma onda das críticas irritadas por parte dos líderes europeus e fizeram ressuscitar a ideia de criar um Exército Europeu unido.

    Entretanto, ao discursar na base aérea de MacDill, no estado da Flórida, no início desta semana, Trump fez uma reviravolta inesperada, assegurando que os EUA expressam apoio total à OTAN.

    "Bem, ele o disse e pronto, mas isto não é suficiente para acalmar os receios da Europa, por isso eu considero as palavras do general Pavel como uma tentativa de aliviar os receios europeus desencadeados por Trump anteriormente", disse Barenets à Sputnik República Tcheca.

    "Pavel tentou convencer mais uma vez os aliados norte-americanos que a Aliança não está indo embora e que os EUA estão comprometidos a defender seus aliados europeus", adiantou.

    Porém, apesar das afirmações do general tcheco, o efeito dos recentes ataques verbais de Trump contra a OTAN continua a se sentir até agora.

    Na França, a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen prometeu, caso seja eleita, fazer o país sair da Aliança Atlântica, tal como o presidente De Gaulle fez na década de 60. No entanto, nessa época a França acabou por voltar.

    As Forças Armadas dos países europeus (França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Polônia) estão na lista dos exércitos mais fortes do mundo e seu potencial convencional conjunto é equivalente ao da Rússia, que é vista como país agressor por muitos políticos e grandes mídias europeus.

    Porém, Barenets diz estar convencido de que isto não é suficiente para que a Europa unifique suas Forças Armadas e crie um Exército comum, se tornando, deste modo, menos dependente dos EUA, já que os europeus "se sentem bem confortáveis debaixo da asa de segurança norte-americana".

    "Na presidência de Obama, as despesas da OTAN eram pagas pelos EUA em 75%, sendo que apenas 5 dos 28 membros da OTAN cumpriam a percentagem estabelecida pela Aliança, ou seja, 2% do PIB gasto com defesa. Na República Tcheca, este índice é apenas de 1,1 por cento. É por isso que eles estão totalmente satisfeitos com todas estas bases militares que estão sendo construídas no seu território. O 'Tio Sam' nos defenderá. Uma tática muito cínica, mas ela funciona", expressou o observador militar russo.

    Viktor Barenets adianta que a Rússia, em geral, saúda a ideia do exército pan-europeu que poderia se encaixar no Conceito de Segurança Europeia de Moscou:

    "Seria mais fácil para nós conversar com eles, nós até poderíamos concordar em integrar algumas das nossas estruturas nas suas. Em qualquer caso, isto ajudaria a aliviar as tensões que temos com a Europa."

    "Neste caso, poderíamos nos livrar dos fossos da Guerra Fria que foram escavados na presidência de Obama. A Europa se separaria do ‘domínio' da OTAN e teríamos um mundo completamente diferente, bem como um novo tipo de relacionamento com a Europa", sublinhou Baranets.

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    Tags:
    exército europeu, Guerra Fria, União Europeia, OTAN, Marine Le Pen, Donald Trump, EUA, Europa
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