23:37 31 Julho 2021
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    Com a presidência de Trump, a situação poderá mudar: "sim" ao diálogo com a Rússia, "não" às sanções. A Itália, através do premiê Paolo Gentiloni, está aberta a Moscou e poderá desempenhar um papel crucial na Europa, ajudando a melhorar as relações com a Rússia.

    O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, durante sua companha eleitoral, declarou estar disposto a cooperar com a Rússia e deixar de lado a política da guerra fria, conduzida pelo seu antecessor. Ele também afirmou ser possível cancelar as sanções impostas à Rússia.

    Apesar de muitos países, em particular os da Europa Oriental, serem hostis quanto à Rússia, Itália poderá chefiar o movimento de cancelamento das sanções antirrussas.

    A Sputnik Itália entrevistou Raffaele Marchetti, docente de assuntos internacionais da Universidade de Luiss Guido Carli.

    Sputnik Itália: Segundo Paolo Gentiloni, guerra fria contra a Rússia não será benéfica para ninguém. As boas relações russo-italianas é uma constante da política exterior dos dois países?

    Raffaele Marchetti: As sanções agravaram a situação. Mas há dois fatores: Brexit e eleição de Trump, que poderão ser responsáveis por mudanças nas relações entre UE e Rússia que levem à diminuição ou, até mesmo, cancelamento das sanções.

    SI: Com a chegada de Trump, a situação está mudando. Quais são as chances de melhoramento das relações entre Ocidente e Rússia?

    RM: Claro que Trump declarou muitas vezes seu desejo de manter boas relações com a Rússia, diferentemente da maneira assumida pela presidência de Obama. Mas os ministros da Defesa e da Chancelaria mostraram atitude contrária em relação à Rússia da expressa por Trump. É necessário esclarecer a situação.

    No entanto, mesmo com a presidência de Trump, não será fácil melhorar as relações com a Rússia.

    SI: A Itália poderá desempenhar a função de ponte geopolítica entre Europa e Rússia?

    RM: Sim, tradicionalmente, Itália e Alemanha desempenham função de "ponte" entre Europa e Rússia. Eles serão responsáveis pela criação das condições para renovar o diálogo. Em ambos os países, serão realizadas eleições em 2017. É um período de transição. Além disso, a situação da campanha eleitoral é complicada, o governo alemão já expressou sua inquietude ligada a hackers russos. Tudo isso poderá agravar a situação.

    SI: No contexto geopolítico geral, a tensão entre Rússia e EUA é inevitável? Podemos chamá-la de Guerra Fria?

    Estrela de rubi de uma das torres da fortaleza do Kremlin. Ao fundo, Grande palácio do Kremlin (foto de arquivo)
    © Sputnik / Aleksei Druzhinin/Anton Denisov/Serviço de imprensa do presidente russo
    RM: Não acredito que a situação continue para sempre assim, observamos uma mudança no quadro geopolítico. Em longo prazo, vemos o declínio do Ocidente — da Europa e dos EUA. Por outro lado, observamos o crescimento de poder dos países que não fazem parte da aliança ocidental, primeiramente, China, Índia e Rússia, país que une os continentes europeu e asiático.

    E agora, quando o Ocidente está prestes a perder a posição de líder geopolítico mundial, torna-se fundamental a negociação dela com países que não fazem partes da Aliança — com Rússia e China.

    SI: Que cenário podemos esperar?

    RM: Se os países decidirem competir uns com os outros, a situação não será tranquila, presenciaremos competições, esperamos que não haja guerra. Se os países desenvolverem diálogo, seria necessário rever algumas regras do jogo da politica exterior. O período será instável, mas poderá ser pacífico.

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    Tags:
    EUA, Europa, Itália, Alemanha, Rússia, Donald Trump, Paolo Gentiloni, Barack Obama, Departamento de Defesa dos EUA, Brexit, eleições nos EUA, geopolítica, ponte, diálogo de paz, competição
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