22:37 14 Dezembro 2017
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    Tropas norte-americanas passam através Alemanha para Leste Europeu

    Opinião: 'apesar das declarações, Trump e OTAN encontrarão consenso'

    © AP Photo/ Ingo Wagner
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    Especialistas alemães, franceses e italianos falam com a Sputnik sobre a futura relação entre a nova administração norte-americana e os países europeus no contexto da retórica de Trump sobre a Aliança.

    Mesmo Trump tendo chamado a OTAN de ultrapassada, o futuro presidente dos EUA deve logo procurar consenso com a Aliança, acredita o vice-presidente do partido A Esquerda alemão, Tobias Pflüger. Os planos quanto à presença norte-americana no Leste europeu também não vão mudar, adianta.

    Há de tudo nas declarações de Trump sobre a OTAN, mas devemos nos basear na ideia de que o presidente eleito dos EUA e a Aliança Transatlântica vão se dar bem, assegura Pflüger.

    “Se analisarmos a retórica de Trump atenciosamente, [veremos que] ele fala, por exemplo, que a OTAN é ultrapassada por não ter prestado atenção ao terrorismo, ultrapassada por ter sido criada há muitos anos e com outros fins”, afirma Pflüger para o correspondente da Sputnik Alemanha, Bolle Selke.

    “De algum modo, a segunda ideia acertou em cheio. A OTAN devia ter se tornado uma aliança militar do Ocidente, mas logo ficou evidente que se tornou uma aliança militar ofensiva e global”, comentou.

    O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera a OTAN como importante, mas não está de acordo com a distribuição das contribuições dentro da Aliança. Agora, receia Tobias Pflüger, os países da União Europeia vão tirar conclusões disso e vão tentar se armar ainda mais. Porém, o político resume: primeiro, Trump é imprevisível, e, segundo, ele não pôs em questão a existência da OTAN como bloco.

    O Movimento pela Paz e “os esquerdas” se expressaram de forma clara contra a presença permanente das tropas norte-americanas no Leste da Europa.

    “Trata-se da presença militar permanente, o que significa a violação aberta do ato Rússia-OTAN. Infelizmente, pelo visto, Trump continuará fazendo o que Obama acabou de fazer. Se levar em consideração o discurso do próximo secretário da Defesa dos EUA, James Mattis, no Congresso, ele, para meu desgosto, seguirá o mesmo rumo da política norte-americana, ou seja, há intuito de se armar contra a Rússia. Levando à escalada armamentista que tem sido criticada por todos”, explicou o especialista alemão.

    O professor de estudos geopolíticos e estratégicos da Universidade Internacional Livre de Estudos Sociais de Roma, Germano Dottori, acredita que Trump esteja preparando as condições para negociações futuras, no decorrer das quais será incitada a reviravolta da política da OTAN aos aliados europeus, que provocará relações mais “calorosas” com a Rússia.

    “Uma parte dos aliados norte-americanos dentro da OTAN – quero dizer os países do Báltico, a Polônia e uma série dos países ex-membros da Organização do Tratado de Varsóvia, já há muito tempo vem se manifestando a favor de uma política mais agressiva em relação à Rússia. Trump, ao contrário, apoia uma ordem mundial diferente, onde a Rússia interpreta um papel de parceiro e não o de inimigo. A parceria com a Rússia significa que alguns aliados dos EUA terão que mudar sua postura quanto a este assunto e a melhor maneira de fazer com que eles repensem seria reforçando que o país-membro mais importante da OTAN são os EUA, e, caso a Aliança não se adapte ao movimento da política de Washington, ela [a Aliança] poderá perder o apoio norte-americano”, observou Dottori em entrevista à Sputnik Internacional

    Laurent Jacobell, vice-secretário-geral do Partido francês Debout la France (Levante-se, França – o partido de direita que se manifesta a favor do fortalecimento da soberania nacional), e o porta-voz de Nicolas Dupont-Aignan, candidato à presidência francesa, também falaram com a Sputnik França sobre as declarações de Trump relacionadas à OTAN.

    “Não acho que os EUA deixem seus aliados sozinhos, pois precisam dos seus aliados da mesma forma como os aliados precisam deles. Mas eu acredito que Donald Trump toque em alguns problemas, nos quais todo o mundo faz de conta que não existam. A OTAN é um mecanismo antigo que após a guerra ficou entre o Oriente e o Ocidente, a guerra dos blocos, do bloco capitalista contra o bloco soviético. Naquela época, havia sentido, mas na realidade polimórfica de hoje já é monolítico demais. Hoje, no que se trata da luta contra o Daesh, vemos que <…> às vezes a Rússia é muito mais avançada no combate do que os EUA”, afirmou Jacobell.

    Para finalizar, Nicolas Dupont-Aignan resumiu:

    “Observamos que Donald Trump deseja se aproximar da Rússia. Isso é considerado tanto por Barack Obama quanto pela futura ex-administração norte-americana. Acho que é um passo pragmático, razoável e inteligente. Hoje em dia, os países do Ocidente possuem os mesmos inimigos que a Rússia. Vemos isso na Síria, no Iraque. Aqueles, que nos atacam hoje, atacam tanto os EUA como a França, Turquia, e em um futuro próximo, talvez, a Rússia. São inimigos comuns. É necessário que possamos cooperar sem ficar presos em alianças antigas durante o combate aos inimigos.”

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    Tags:
    presença militar, combate ao terrorismo, cooperação estratégica, Casa Branca, OTAN, Barack Obama, Donald Trump, Síria, Rússia, Europa, EUA
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