16:34 18 Dezembro 2017
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    Ministro das Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov durante uma coletiva de imprensa

    Lavrov: comunidade internacional falha em criar frente unida de combate ao terrorismo

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    O chanceler russo afirmou durante a coletiva de imprensa anual na terça-feira (17) que a comunidade internacional falhou em criar uma frente unida de combate ao terrorismo.

    O chefe da diplomacia russa sublinhou que o terrorismo se tornou a principal ameaça internacional em 2016.

    Diplomatas americanos

    Segundo Lavrov, a Rússia nega as acusações de alegada pressão e controlo dos diplomatas americanos em Moscou.

    Ao mesmo tempo o chanceler russo sublinhou que a Rússia está disposta a construir relações com os EUA, UE e OTAN com base na reciprocidade e no respeito mútuo dos interesses de cada país.

    O chanceler russo destacou que, durante o segundo mandato de Barack Obama, foram mais frequentes os casos em que os serviços secretos americanos tentaram recrutar diplomatas russos. Em particular, segundo ele, em 2016 foi feita uma tentativa de recrutar um conselheiro da Embaixada da Rússia em Washington.

    Além disso, Lavrov mencionou que os diplomatas da Embaixada dos EUA em Moscou têm participado repetidamente de manifestações da oposição russa:

    "Eles [os diplomatas americanos] viajam pelas regiões de Kaliningrado, São Petersburgo, Murmansk, Voronezh. Várias vezes eles foram flagrados em Novorossiysk, na República da Chechênia, ao longo da fronteira com o Donbass, percorreram quase tudo. Para já não falar de que, além da espionagem, os diplomatas da Embaixada foram vistos participando em manifestações da nossa oposição, em passeatas antigovernamentais não sancionadas, inclusive disfarçados. Tirem as vossas conclusões", declarou Lavrov durante a coletiva de imprensa anual.

    Diálogo Rússia-EUA e padrões duplos

    De acordo com Lavrov, Moscou estará pronta para restabelecer o diálogo entre a Rússia e os EUA sobre a estabilidade estratégica assim que a administração Trump entrar em funções.

    Lavrov informou que Moscou saúda as declarações de Trump sobre a luta contra o terrorismo, quando disse que esta será a prioridade na sua política externa:

    "Isso é exatamente aquilo que faltava nos nossos parceiros americanos até agora. Parece que, em palavras, eles trabalhavam conosco e com outros países, elaboravam documentos, mas na realidade acabaram nos enganando depois de terem assumido o compromisso de demarcar a oposição moderada da Frente al-Nusra [grupo terrorista proibido na Rússia]", destacou o chefe da diplomacia russa.

    "Eles usavam vários meios para poupar a Frente al-Nusra, tentavam com que ela não fosse atacada", sublinha.

    O chanceler russo manifestou a esperança de que o presidente eleito dos EUA Donald Trump não recorra a padrões duplos na questão do combate ao terrorismo internacional:

    "Aquilo que estamos ouvindo de Donald Trump e da sua equipe indica que eles têm uma outra abordagem e que não vão recorrer a padrões duplos, de maneira a usar o combate ao terrorismo para alcançar outros objetivos não ligados a essa questão", frisou Lavrov.

    Sanções e desarmamento nuclear

    Na opinião do chefe da diplomacia russa, não há ligação entre o levantamento das sanções e o desarmamento nuclear nas declarações de Donald Trump:

    "Não posso e não tenho o direito de interpretar aquilo que Trump disse em entrevista, mas eu percebi um outro sentido na sua frase", observou Lavrov.

    Acusações de ciberataques

    Segundo Lavrov, "todas as tentativas de apresentar provas dos alegados ciberataques russos foram inventadas".

    Na visão do chanceler russo, "a cibersegurança internacional é algo que deve preocupar todos nós".

    "Foi precisamente a Rússia que defendeu a intensificação da cooperação para colocar em ordem a questão de combate ao crime cibernético", assinalou.

    Lavrov qualificou de "mentira" as alegações de que a ameaça cibernética provém da Rússia.

    Conflito sírio

    Segundo Lavrov, apenas pela força será possível parar a guerra na Síria e em outros países da região.

    De acordo com Lavrov, os EUA pretendiam usar os grupos terroristas Daesh e a Frente al-Nusra com o objetivo de derrubar o presidente sírio Bashar Assad.

    "Sabem, apenas é possível parar essa guerra, assegurar os direitos não só dos cristãos, mas também dos muçulmanos e de outras pessoas que vivem e viveram a vida inteira na Síria, em outros países da região, por meio da força, pois o terrorismo tem que ser combatido e eliminado sem piedade. É isso que estamos fazendo, ajudando o exército sírio e as milícias que, juntamente com as forças síria, estão participando da luta contra o terrorismo", assinalou o chefe da diplomacia russa.

    Japão sob pressão dos EUA

    A administração cessante dos EUA tentou pressionar o Japão para impedir o diálogo deste com a Rússia, mas Moscou e Tóquio irão desenvolver as suas relações sem olhar para países terceiros, frisou o chanceler russo ao comentar os resultados da visita oficial do presidente russo Vladimir Putin ao Japão em dezembro de 2016.

    "A administração cessante dos EUA está fazendo coisas indignas. Nesta situação eles tentaram abusar de suas relações com o Japão, tentaram tratar seus aliados japoneses como integrantes secundários da comunidade internacional", opinou o chefe da diplomacia russa.

    Lavrov mencionou que, durante a visita, Vladimir Putin e o premiê japonês Shinzo Abe acordaram em prosseguir com os contatos com vista a elaborar um tratado de paz.

    Acordos de Minsk

    "Não ouvi a administração de Donald Trump falar na necessidade de enterrar os Acordos de Minsk e solucionar a questão da crise no leste ucraniano de outra maneira. Por isso, nem sequer surge a necessidade de refletirmos sobre esse tema", sublinhou.

    Além disso, segundo Lavrov, a Rússia não tem qualquer intenção de reescrever os [Acordos de Minsk]. Eles foram aprovados por unanimidade, segundo a resolução do Conselho de Segurança da ONU.

    "Ao contrário, toda a comunidade internacional repete que não existem alternativas aos Acordos de Minsk", destacou Lavrov.

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    Tags:
    padrões duplos, ciberataque, acusações, diplomatas, Acordos de Minsk, Frente al-Nusra, Daesh, Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Conselho de Segurança da ONU, Shinzo Abe, Barack Obama, Sergei Lavrov, Donald Trump, Vladimir Putin, Kaliningrado, São Petersburgo, Chechênia, Moscou, Ucrânia, Síria, EUA, Rússia
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