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    Especialista diz à Sputnik que fornecimento ao Irã de 130 toneladas de urânio natural por parte da Rússia mostra comprometimento com o acordo nuclear e um recado aos EUA que outros membros do 'sexteto' não pretendem mais apoiá-los.

    De acordo com fontes diplomáticas em Viena, citadas pela Associated Press, o Irã receberá 130 toneladas de urânio natural da Rússia para compensar a exportação de água pesada.  

    Navios de guerra da Marinha do Irã
    © AP Photo / Agência de Notícias Fars, Mahdi Marizad
    O especialista iraniano em questões internacionais do Centro de Pesquisa da Universidade de Teerã "Azad", Mojtaba Jalalzadeh, falou com a Sputnik Persa e observou que a atual situação indica um compromisso direto com o Irã por parte de cinco membros do "sexteto" das suas obrigações e acordos alcançados. 

    "A aprovação do envio de 130 toneladas de urânio natural no Irã não acontece pela primeira vez. Anteriormente, uma quantidade similar de urânio natural já havia sido recebida pelo Irã em 2015 no âmbito das negociações com o 'sexteto' (Grã-Bretanha, Alemanha, China, Rússia, EUA, França). Portanto, a aprovação para a entrega desta parte de urânio natural era esperada", disse ele. 

    O especialista destaca que "tudo isso é feito no âmbito do acordo alcançado sobre o acordo nuclear entre o Irã e o grupo "5 + 1" [os cinco membros do Conselho de Segurança mais a Alemanha]".

    "No âmbito do acordo, o Irã cumpriu integralmente suas obrigações: começou a exportar urânio enriquecido e o excedente de água pesada, e em troca receberá uma certa quantidade de urânio natural. Isto diz respeito à parte técnica", observou Jalalzadeh. 

    Ele observou que, apesar do fornecimento de urânio natural estar em plena conformidade com o direito internacional e com todos os acordos alcançados, "ainda assim isso é sensível para um dos membros do acordo nuclear", se referindo à nova administração dos EUA após Donald Trump assumir a presidência. 

    De acordo com o especialista, "o novo gabinete presidencial dos EUA constantemente tenta persuadir para que o acordo nuclear seja revisto, considerando-o inválido, alegando que o Irã não atua com garantia o suficiente, eles tendem a exercer ainda mais pressão sobre o Irã".

    Para Jalalzadeh, o cumprimento dos acordos alcançados, com a Rússia tomando pra si o papel principal da garantia e da iniciativa sobre o fornecimento de urânio natural, pode ser analisado como uma "mensagem clara e concisa dos membros do grupo '5 + 1' para outro signatário do documento — o novo gabinete do governo dos EUA". 

    "Este é um desafio e um lembrete do fato de que outros membros do 'sexteto' de mediadores internacionais não pretende mais apoiar sanções norte-americanas unilaterais, eles estão interessados em respeitar todos os acordos e a implementação de todas as obrigações decorrentes do acordo nuclear".

    Mojtaba Jalalzadeh conclui dizendo que a aprovação do fornecimento de 130 toneladas de urânio natural para o Irã por parte do grupo '5+1' mais uma vez "sublinha o empenho dos membros do 'sexteto' em tomar pra si os compromissos e o seu apoio ao Irã em realizar um contrapeso aos radicais oponentes do acordo nuclear".

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    Tags:
    urânio, programa nuclear iraniano, acordo nuclear, mediadores, sexteto, P5+1, Donald Trump, Rússia, Irã, EUA
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