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A economia dos BRICS em 2017: Consolidação e força

© Beto Barata/PRPresidente Michel Temer durante reunião do Brics, na China
Presidente Michel Temer durante reunião do Brics, na China - Sputnik Brasil
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Será o ano do Novo Banco do Desenvolvimento, da recuperação russa e da queda de influência do dólar. Quais serãos os efeitos disso nas economias nacionais dos BRICS?

2016 foi ano de surpresas na política e de pesadelos ainda piores quando o assunto era economia. Atingindo os piores índices da série histórica iniciada em 2003, o barril de petróleo despencou a médias na casa dos US$20 — bem distantes dos US$200 projetados pela Goldman Sachs no boom das commodities nos idos de 2008 — derrubando as finanças de países que tinham no produto, fonte principal de renda. Foi o encerramento oficial do ciclo das commodities, das sanções, do protecionismo.

 

Com tanta incerteza, dá para imaginar um 2017 melhor? A Sputnik Brasil separa três dos destaques da economia para o próximo ano.

 

1) O encontro dos BRICS na China e a consolidação do Novo Banco de Desenvolvimento

 

Paulo Nogueira Batista Jr. - Sputnik Brasil
Paulo Nogueira Batista Jr.: 'Banco dos BRICS terá novos sócios já a partir de 2017'
Será apenas em setembro de 2017, mas a Cúpula dos BRICS em Xiamen, na China já é antecipada pelos economistas e investidores como a reunião que consolidará a importância do Novo Banco de Desenvolvimento.

 

Criado à partir da sugestão do governo indiano na IV Cúpula do grupo realizada em Nova Deli em 2012, o NBD financiou US$1,5 bi para sete projetos nas áreas de infraestrutura dos cinco países e já anunciou, novos lotes de empréstimos na casa dos US$2,5 bi em 2017. Entre os 15 projetos selecionados para 2017, estão um projeto de energia eólica costeira, localizado na baía de Pinghai, da cidade de Putian no leste da China, com investimentos de US$ 280 mi e outros US$350 mi para construção e renovação de 1,5 mil km de rodovias no estado indiano de Madhya Pradesh.

 

Em outubro, o vice-presidente do NBD, Paulo Nogueira Batista Jr. também revelou à Sputnik que outros 15 países devem se filiar ao Banco no próximo ano, elevando a presença e a influência internacional dos BRICS.

 

2) Pagamentos em moedas nacionais: o dólar cada vez menos influente

 

(Da esquerda para direita) Presidente do Brasil Michel Temer, presidente chinês, Xi Jinping, primeiro-ministro da Índia Narendra Modi, presidente da Rússia Vladimir Putin e presidente da África do Sul Jacob Zuma posam em frente de escultura de areia na véspera da cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul) em Goa, Índia, em 15 de outubro de 2016 - Sputnik Brasil
China considera experiência dos BRICS muito positiva
Se a cooperação diplomática dos BRICS deve se aprofundar, a iniciativa privada dos 5 países também o fará.

 

Desde 2014, circula nas cúpulas dos grupos um documento de empresários dos BRICS com sugestões para aprimorar a economia do bloco. Uma das propostas é permitir a troca direta de moedas entre os países, para facilitar e baratear os custos de transação.

 

Fixando o preço da exportação na moeda própria, o exportador fica menos exposto a variações de taxas de câmbio e tem a certeza de que receberá exatamente o valor negociado em sua moeda, gerando mais previsibilidade e diminuindo custos. De forma prática, quem vende algo a R$100 mil exclui a possibilidade de receber US$30 mil ou US$25 mil em questão de poucos dias.

 

A China, juntamente aos demais membros do Grupo, defende uma “cesta de moedas” para as transações globais. O Gigante Asiático negocia com outros países do continente para encerrar as operações com o dólar e procura diminuir a volatilidade que instabilidades políticas e econômicas do outro lado do globo, nos Estados Unidos. O Brasil já tem acordos de transações em moedas locais com países como Argentina e Uruguai. A proposta deve voltar a ser discutida em Xiamen.

 

3) A Rússia vai voltar a crescer… e com isso, crescerá também o poder de barganha de Putin

 

Rublo russo - Sputnik Brasil
Forbes sobre economia da Rússia: 'o pior já passou'
Enfrentando a pior crise econômica desde 1998, a Rússia lida com uma série de sanções que incluem o congelamento de ativos, a proibição de negócios com empresas americanas e barreiras comerciais aplicadas pelos EUA, Austrália, Nova Zelândia, Canadá e União Europeia. O efeito foi devastador na economia nacional, mas isso não impediu o país de reerguer.

 

Bem verdade que a previsão do ministério da Economia russo — de que os indicadores teriam expansão de 0,7% devido à alta de da procura interna — não se concretizou (a contração foi de 0,6% este ano). Mas o retorno do crescimento em 2017 agora é um fato conhecido: o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta 1,1% para o próximo ano.

 

A posse de Donald Trump em 20 de janeiro, mais amigável a Putin, também deve aliviar o lado russo. Uma pesquisa da Bloomberg conduzida neste mês mostrou que 55% dos economistas acredita em alívio das sanções americanas à Rússia nos próximos anos, frente aos apenas 10% em outubro, antes dos resultados presidenciais. O resultado? Menos afetado por sanções da UE, Putin se tornará mais influente que nunca.

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