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    Populismo é sempre divisivo e o mundo merece melhor

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    De acordo com um painel de acadêmicos falando em Londres, o surgimento da política populista, como se viu em 2016 nos EUA e na Europa, serve de muitas maneiras como sinal de alerta aos partidos políticos tradicionais de um país, especialmente no centro-esquerda.

    "Quando o establishment não está cumprindo as necessidades da maioria das pessoas da sociedade, muitas vezes surgem formas de populismo para preencher esse vazio. O que nós vimos este ano foi a subida repentina das facções de direita desse movimento. Mas devemos notar que, como ideologia política, isso não tem necessariamente aderentes únicos apenas a este lado", disse a Dra. Marina Prentoulis, professora titular de Política na Universidade de Ânglia Oriental.

    Falando no evento "Decodificando a ascensão do populismo nos EUA e na política europeia" em Londres, a Dra. Prentoulis disse:

    "Uma resposta efetiva ao populismo de direita poderia de fato ser uma oposição populista de esquerda que, no caso do Reino Unido, exigiria líderes partidários como Jeremy Corbyn do Partido Trabalhista, que não é um populista por natureza, para se tornarem o oposto político ao que Donald Trump é nos EUA e ao que Marine Le Pen representa na França."

    De acordo com a Dra. Prentoulis, os movimentos populistas são liderados pela voz de um líder forte que fala diretamente ao público em uma linguagem com a qual a maioria se pode identificar, e que é visto como alguém que pode representar as questões urgentes que interessam o povo.

    "Na ausência de um partido forte ou de um líder de oposição que combata a ascensão do populismo de direita, eu sugeriria que um grupo de partidos da oposição comece um diálogo para forjar alianças progressivas, ou alguma forma de acordo multipartidário, que poderia encorajar a colaboração coletiva contra os novos movimentos mais fortes."

    ​Robert Singh, professor de Política da Birkbeck, Universidade de Londres, falando no mesmo fórum, disse que se não fosse o sistema de votação por colégio eleitoral nos EUA, Hilary Clinton teria ganhado com base em ter recebido a maioria de votos em números globais.

    "Na Europa, nós veremos muito provavelmente que tais como Marine Le Pen na França irão perder nas suas eleições. Já vimos na Áustria como o seu voto eleitoral se manifestou contra a ascensão das facções nacionalistas no seu sistema, o que para mim sugere que o movimento populista aqui não é tão forte como podemos ser levados a acreditar", disse Singh.

    Quando perguntado sobre o que ele pensa sobre os prováveis acontecimentos políticos nos EUA no futuro mais próximo, o Dr. Singh disse:

    "Eu diria que ainda não devemos descartar Trump nos EUA, porque o seu novo estilo de política poderá funcionar. Nós devemos lembrar que, na realidade, o sucesso político é determinado por políticas e o que o povo da América vai querer ver além da política de identidade dominante, que nós vimos muito neste ano, e se o Sr. Trump pode colocar nisso alguma substância."

    "No Reino Unido, em minha opinião, a esquerda do nosso sistema político tem falhado muito o público. Mas nós já estamos vendo a emergência de partidos como os Liberal Democratas ultrapassando em popularidade tanto os Conservadores como o Partido Trabalhista em alguns locais. Será interessante ver como o Partido Trabalhista irá gerenciar esses desafios que tem pela frente. Quanto ao Brexit, ele será em muito determinado pela direção suave ou dura da premiê Theresa May e pelas consequências da aceitação ou rejeição do plano proposto para o Brexit aos Conservadores em 2017", disse o professor Singh à Sputnik Internacional.

    Comentando a correlação entre o estilo de populismo que exibe a agressiva retórica nacionalista e o aumento da xenofobia, a Dra. Prentoulis disse:

    "Estes são em muito uns tempos de monstros emergentes, quando se trata do novo discurso do nacionalismo, e a minha solução é mais uma vez uma combinação de populismo de esquerda com uma mais ampla unificação das vozes positivas. Devemos trabalhar para difundir uma cultura de colaboração em uma maneira de resposta coletiva."

    "Para ser franco, eu gostaria muito de ver o populismo de qualquer tipo se afastando da política dominante, porque eu não o vejo como um movimento que possa unir as pessoas de maneira nenhuma pela sua própria natureza divisiva e, assim, seu fracasso poderia nos levar de volta a um estilo claro separando esquerda de direita em política tradicional, que é o que eu gostaria de ver novamente", disse o professor Singh.

    Tags:
    trabalhistas, partido, conservadorismo, liberalismo, democratas, Donald Trump, Marine Le Pen, Londres, Europa, EUA, França
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