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    O que impediu União Soviética de ganhar a Guerra Fria?

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    O final da Guerra Fria não estava predeterminado: cada nova etapa de confrontação bipolar poderia ter tido um outro resultado, opina o observador da The National Interest, Robert Farley.

    O jornalista propõe analisar a Guerra Fria através do prisma das perspectivas estratégicas tanto dos EUA como da URSS, tomando em consideração as diferenças entre a construção arquitetônica de ambos os "sistemas".

    "Até aos anos oitenta havia muitas pessoas no Ocidente que acreditavam na inevitabilidade da vitória dos Sovietes [ou seja, da União Soviética]", afirma Farley, adiantando que há explicação para este fenômeno.

    Segundo diz o analista, a economia de mercado e a concorrência não teriam funcionado em situação de mobilização militar, e a prova disso é o legado da Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, o sistema econômico de economia planejada "funcionou bastante bem durante a época militar", diz Farley na The National Interest.

    O autor está convencido de que na década de 60 existia o risco de um colapso total da sociedade norte-americana. A Guerra do Vietnã, o aumento dos protestos sociais e o perigo permanente de guerra nuclear colocaram os EUA à beira da destruição. Naquele momento, as expetativas dos estrategistas soviéticos estavam prestes a ser realizadas, mas o sistema social e econômico dos EUA conseguiu provar sua alta resistência ao estresse, diz-se no artigo.

    Farley considera que o Ocidente venceu devido às falhas estratégicas da chefia soviética.

    "Se a URSS tivesse se comportado de modo mais agressivo na primeira década após a OTAN ter sido criada, ela bem poderia ter derrotado a Aliança", opina o autor. Com isso, ele acredita que "a ofensiva das tropas soviéticas na Europa Ocidental nos anos 50 poderia com grande probabilidade ter sido bem-sucedida".

    Além disso, o observador chama a atenção dos leitores às medidas atrasadas de liberalização econômica. A União Soviética deveria ter seguido o caminho da China comunista ainda antes da "própria China", afirma o autor.

    O final da Guerra Fria não estava predefinido, mas a falta da "intuição" estratégica da elite política da URSS pregaram uma partida à superpotência, concluiu Robert Farley.

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    Tags:
    economia, superpotência, armamentos, colapso, comunismo, aliança militar, corrida armamentista, Guerra Fria, The National Interest, OTAN, China, EUA, URSS
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