20:12 20 Agosto 2017
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    Helsinque, Finlândia

    OTAN define onde será o centro de combate às ameças 'híbridas' do Daesh e da Rússia

    © AFP 2017/ JUSSI NOUSIAINEN / LEHTIKUVA
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    Vários países da OTAN e da União Europeia (UE) planejam montar um centro em Helsinque com o objetivo declarado de enfrentar as crescentes ameaças da chamada guerra "híbrida", mas especialmente as colocadas pela Rússia e pelo Daesh (autodenominado Estado Islâmico), segundo afirmou um alto funcionário do governo finlandês.

    OTAN define país que hospedará centro de combate às ameaças 'híbridas' do Daesh e da Rússia

    O novo centro pretende ser uma joint venture de 11 países: Finlândia, Alemanha, Espanha, EUA e Reino Unido, bem como a Suécia, a Polônia e os Estados Bálticos.

    "Alguns ainda não confirmaram a sua participação, mas, no entanto, temos apoio suficiente para avançar", disse na segunda-feira (21) o subsecretário de Estado encarregado dos Assuntos da UE, Jori Arvonen, segundo citado pela Reuters.

    Ele explicou que os ataques híbridos podem ser "diplomáticos, militares, tecnológicos ou financeiros em sua natureza". A guerra híbrida, de fato, mistura a guerra convencional e a irregular, juntamente com a guerra cibernética, a propaganda e outros meios indiretos.

    Quando questionado sobre países ou organizações que, em sua opinião, empregam táticas híbridas, Arvonen citou o Daesh e a Rússia, observando que a organização terrorista usa frequentemente a desinformação para radicalizar pessoas em toda a Europa, e acrescentando que "tem havido muita conversa aqui na Finlândia sobre a influência da Rússia na informação”.

    Há pouco tempo, o presidente dos EUA, Barack Obama, listou o Daesh, a "agressão russa" e o Brexit como as maiores ameaças globais em uma conferência da OTAN em Varsóvia. Ao mesmo tempo, também prometeu enviar mais 1.000 soldados para reforçar a presença da aliança militar na frente oriental.

    A Rússia também enfrentou recentemente acusações de invadir e influenciar o espaço cibernético de outros países. O Partido Democrata dos EUA recorreu à tática de atribuir todos os seus contratempos à uma ação de hackers supostamente patrocinados pela Rússia. O presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou pessoalmente as alegações de que Moscou estaria tentando interferir na votação presidencial norte-americana, dizendo que os EUA não eram nenhuma “república de bananas” para permitir tal coisa.

    Após as acusações de Washington, porém, a Alemanha, que está se preparando para suas próprias eleições nacionais no ano que vem, acabou ressoando a histeria de que a Rússia poderia tentar interferir na votação dos alemães também. A chanceler Angela Merkel afirmou que seu governo "já sabe que temos de lidar com relatos da Rússia ou também com ataques cibernéticos de fontes russas".

    "Nós repetidamente comentamos sobre as alegações de ataques cibernéticos… não podemos de forma alguma aceitar essas declarações infundadas", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, na última declaração sobre o assunto no início deste mês, respondendo às acusações do diretor geral do MI5, Andrew Parker, de que a Rússia estaria usando "formas cada vez mais agressivas — envolvendo propaganda, espionagem, subversão e ataques cibernéticos" para "impulsionar sua política externa no exterior".

    Marcha para o Leste

    Nos últimos dois anos, a OTAN tem realizado exercícios militares em massa, um após o outro, numa alegada tentativa de combater a "agressão russa". Onze países da OTAN estão atualmente participando de exercícios militares na Lituânia, a maior nação báltica, em mais uma demonstração de força da aliança nas fronteiras da Rússia.

    Moscou tem negado repetidamente que seja uma ameaça para os países da OTAN, explicando que seu próprio reforço militar visa unicamente proteger suas fronteiras da expansão da aliança para o leste, fato que a Rússia considera como uma ameaça à sua segurança nacional.

    A OTAN já tem dezenas de centros especializados em diferentes tipos de ameaças espalhados pelos países membros. Espera-se que o centro proposto em Helsinque funcione em estreita cooperação com o Conselho de Relações Exteriores da UE e a aliança militar da OTAN. O orçamento anual do centro está estimado em cerca de 2 milhões de euros. Todos os países membros irão pagar uma taxa anual de adesão, mas, como país anfitrião, a Finlândia deverá fornecer a maior parte do orçamento. A decisão final sobre a criação do novo centro será feita na próxima primavera (outono no hemisfério sul).

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    Tags:
    agressão russa, ameaça russa, hackers, propaganda, informação, guerra híbrida, ameaças híbridas, exercícios, militarização, expansão, União Europeia, OTAN, Barack Obama, Vladimir Putin, Alemanha, EUA, Rússia, Finlândia, Helsinque
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