02:16 26 Setembro 2018
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    O encontro entre Hillary Clinton Pyotr Poroshenko

    'Ataque de pânico com amnesia' ucraniano não para após a eleição de Trump

    © Foto: Twitter: Ukrinform_news
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    Os ucranianos acham que talvez eles tenham sido os maiores perdedores das presidenciais norte-americanas, diz o Washington Post.

    "Se a Rússia torcia por Trump naquela madrugada eleitoral, é bem fácil adivinhar quem não o fazia", diz o jornal, aludindo ao desejo de Kiev de ver Hillary Clinton como próximo presidente dos EUA.

    O Washington Post cita Vitaly Sych, editor-chefe da revista Novoe Vremya, que antes do apuramento dos votos tinha preparado apenas um dossiê — sobre Hillary. Segundo diz o jornalista, os ucranianos nunca acompanharam as eleições norte-americanas de um modo tão escrupuloso.

    A notícia sobre a vitória de Trump soou que nem um trovão que ecoou em todo o mundo, do rio Potomac (nos EUA) ao rio Dniepre, diz o WP.

    Logo após o resultado ter sido anunciado, a Novoe Vremya publicou um artigo intitulado "Os EUA estão se fazendo de bobos", sendo que os colegas de Vitaly Sych o dissuadiram de publicar o título inicial — "Grosseirão, ignorante e racista — conheçam o novo presidente norte-americano".

    De acordo com ele, a reação principal à vitória de Trump foi de angústia, já que ao longo de sua campanha eleitoral ele tinha falado sobre sua intenção de ajustar as relações bilaterais com a Rússia e considerar a hipótese de levantar as sanções contra o país.

    ​O ex-embaixador norte-americano em Moscou, Michael McFaul, publicou no seu Twitter: "Foi a Ucrânia quem perdeu mais com as eleições norte-americanas». Alguns políticos ucranianos estão de acordo com ele. O WP, por exemplo, cita um certo legislador que falou do "medo primitivo de perder o apoio dos EUA perante a agressão russa".

    Entretanto, passada uma semana das eleições, os deputados ucranianos não se apressam a discutir aquilo que Trump falou sobre a Ucrânia: a necessidade de estabelecer relações com o presidente recém-eleito provocou uma espécie de ‘oportuno ataque de amnésia', diz o WP.

    As autoridades ucranianas estão tentando diminuir grau de preocupação com Trump e fazer as pessoas pensarem que "ainda nada está perdido".

    Viktoria Voitsitskaya, uma deputada ucraniana, sugeriu que Trump seria mais honesto do que os estadistas norte-americanos do governo atual.

    "Acho que ele será mais direto. Eles [membros da administração nova] vão exigir mudanças reais. Se não, estamos irremediavelmente perdidos."

    Em Kiev há também quem ache que o presidente eleito pode ser influenciado pelos falcões republicanos que, como assinalou um político em uma entrevista ao WP, têm uma postura mais pró-ucraniana do que os democratas.

    Porém, os peritos ucranianos reconhecem que se Clinton tivesse vencido Trump, isso não resolveria a crise ucraniana.

    "É muito ingênuo tentar acreditar que a eleição de Hillary Clinton contribuiria para a resolução do conflito ucraniano", afirmou o perito ucraniano nas Relações Internacionais e Segurança, Aleksei Melnik, ao WP.

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    Tags:
    reforma, resultado, relações bilaterais, eleições nos EUA, Novoe Vremya, Washington Post, Parlamento ucraniano, Casa Branca, Donald Trump, Hillary Clinton, Pyotr Poroshenko, EUA, Ucrânia, Rússia
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