05:13 11 Agosto 2020
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    O analista internacional venezuelano, Sergio Rodriguez Gelfenstein, disse à Sputnik que os 'golpistas' venezuelanos são diferentes dos brasileiros, pois estes teriam conseguido articular o golpe com o judiciário e agências de segurança.

    Ele afirmou que a oposição venezuelana tem recorrido a medidas extremas, chegando ao caso de um setor que criar alianças com paramilitares colombianos e criminosos, adotando uma violência seletiva contra líderes sociais chavistas e militares. 

    Para o especialista, que também serviu como diretor de Relações Internacionais da Presidência da República Bolivariana da Venezuela, os erros da oposição se iniciaram ao não começar a tempo as ações legais para ativar o referendo revogatório contra o Presidente Nicolas Maduro, impossível de realizá-lo por vias legais em 2016, como desejado.

    "No período, queriam acelerar o recolhimento de assinaturas, cometendo equívocos nas inscrições que tipificam uma fraude nos termos da lei", diz o analista internacional.

    Por outro lado, de acordo com Rodriguez Gelfenstein, "prometeram destituir o presidente Maduro em seis meses e resolver a crise econômca a curto prazo", esperando, em seguida, "uma ruptura nas Forças Armadas que enfraqueceria o governo". O especialista observou que nenhuma das duas coisas foi cumprida e isto causou cortes internos na oposição e um "desprestígio de seus dirigentes que têm caído em maior descrédito". 

    "Diante de todas estas evidências, começaram a ser criadas divisões dentro da oposição, que têm recorrido a medidas extremas e, inclusive, um setor chegou a criar alianças com paramilitares colombianos e criminosos, o que se tornou uma violência seletiva contra dirigentes sociais chavistas, agentes de segurança e militares".

    "Da mesma forma, outro setor caiu em ambiguidades ao se declarar democrata e não rechaçar a violência como forma de fazer política", destacou Gelfenstein. 

    O ex-diretor de Relações Internacionais da Venezuela assegura que a "incapacidade dos dirigentes da oposição de fazer política nos termos da lei os levou a cometer todos este equívocos, enquanto as agências do Estado atuaram e tomaram decisões nos termos legais". 

    As mais recentes ações da Assembleia Nacional, que em 23 de Outubro declarou a ruptura da ordem constitucional e da existência de um golpe de Estado cometido pelo regime de Nicolas Maduro, são para o especialista "medidas extremas" que "não têm maior impacto interno", pois não contam com o apoio popular.

    Ele também comentou a situação da Venezuela em comparação com o atual cenário da política brasileira. 

    "Ao contrário do Brasil, esses golpistas não têm apoio nem do Judiciário, nem do poder Moral [um dos poderes constitucionais da Venezuela], nem das Forças Armadas ou dos órgãos de segurança, o que os diferencia da oposição no Brasil, pois não foram capazes de articular as condições para um golpe de Estado", observou.

    Neste sentido, a única opção da oposição é recorrer aos EUA e outras forças internacionais políticas e midiáticas para desestabilizar e deslegitimar o governo de Maduro. 

    O poder legislativo dominado pela oposição na Venezuela declarou no último domingo (23) que o "regime" do presidente Nicolas Maduro cometeu um “golpe de Estado” com a decisão do Conselho Nacional Eleitoral de suspender a recolha de assinaturas em favor do processo revogatório do mandato do líder chavista.

    ​Em uma sessão de emergência na Assembleia Nacional Venezuelana, os legisladores aprovaram uma resolução declarando uma "ruptura da ordem constitucional e a existência de um golpe de Estado cometido pelo regime de Nicolas Maduro", prometendo responder à situação com protestos em massa e pressão internacional.

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    Tags:
    paramilitares, exército, golpe, oposição, Nicolas Maduro, Brasil, Venezuela
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