02:22 17 Outubro 2018
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    Futuro secretário-geral da ONU, António Guterres, fala durante entrevista coletiva, Lisboa, Portugal, 6 de outubro de 2016

    'Escolha do candidato português como novo secretário-geral da ONU não é acidental'

    © AFP 2018 / JOSE MANUEL RIBEIRO
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    Ontem, o Conselho de Segurança da ONU indicou oficialmente o candidato ao cargo de secretário-geral da organização. Por que razão o candidato português se tornou a figura mais consensual aos olhos dos membros do órgão principal da ONU?

    O cientista político russo Aleksandr Konkov, disse ao serviço russo da Rádio Sputnik que, pelos vistos, António Guterres tornou-se uma figura de compromisso. Não havia muitos favoritos na corrida ao cargo, muitos países apoiavam a ideia de nomear um político da Europa de Leste. Além disso, muitos esperavam que a direção da ONU fosse assumida por uma mulher.

    "Aparentemente, a sua vantagem principal é ter sido alto comissário das Nações Unidas para os refugiados por 10 anos. Pelos vistos, todos opinam, e em particular os líderes dos países-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que o problema dos refugiados permanecerá na agenda nos próximos cinco anos, o número de conflitos não diminuirá", disse.

    O compromisso não está na figura escolhida mas no papel que a ONU exercerá nos próximos anos.

    "Nos últimos anos há muitas discussões sobre o futuro da ONU e o compromisso já mencionado reflete o compromisso de que a Organização tratará mais de assuntos humanitários, do destino das pessoas que se tornam vítimas inocentes dos jogos dos políticos e que os assuntos políticos serão resolvidos pelo Conselho de Segurança que no futuro deverá também resolver o assunto da reforma da ONU", declarou.

    Na opinião do especialista, a escolha de Guterres não é acidental. Ele realizou uma campanha pré-eleitoral eficiente, visitou muitos países e encontrou-se com quase todos aqueles dos quais dependia a escolha <…>.

    "Um fato importante é que não havia nenhuns esqueletos no armário <…>."

    Uma das candidatas, Irina Bokova, que era considerada uma das possíveis vencedoras da eleição, recebeu um golpe nas costas do seu próprio país. Apareceram muitas informações pouco agradáveis em relação a ela na Bulgária, o que se refletiu no processo de votação. Outros candidatos também receberam avaliações negativas e Guterres tornou-se uma figura mais favorável para todos.

    "Não convém esperar que o novo secretário-geral tenha qualquer peso político real. A história de todos os oito antigos secretários-gerais mostra isso. <…> O secretário-geral da ONU deve ser um moderador da discussão global em relação a todos os assuntos", disse Konkov.

    As suas principais qualidades necessárias são o profissionalismo e capacidade de ouvir as várias partes sem assumir quaisquer compromissos. Estas tarefas estão de acordo com as possibilidades do novo secretário-geral da ONU, concluiu o analista.

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    Tags:
    secretário-geral, opinião, ONU, António Guterres, Portugal
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