14:08 12 Dezembro 2017
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    Delcy Rodriguez Mercosul

    Deputado do Parlasul denuncia complô para afastar de vez a Venezuela do Mercosul

    Federico Parra/AFP
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    A situação política do Mercosul, como bloco comercial, se agravou nas últimas horas com a decisão de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai de assumirem interinamente a presidência interina em lugar da Venezuela, que deveria ocupar o cargo desde 31 de agosto após o término do mandato de seis meses cumprido pelo Uruguai.

    Além de ocuparem a presidência, os quatro países deram prazo até 1º de dezembro para que a Venezuela cumpra com suas obrigações com o bloco sob pena de suspensão do país do Mercosul. Nota oficial divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, assinada pelo ministro José Serra, alega que a Venezuela não cumpriu uma série de compromissos assumidos quando da assinatura do protocolo de adesão em Caracas, em 2006. O documento lembra que o prazo para cumprir essas exigências terminou no último dia 31 de agosto.

    Segundo a nota do ministério, entre as normas que não foram incorporadas ao ordenamento jurídico estão o Acordo de Complementação Econômica, o protocolo de Assunção sobre Compromisso com a Promoção e Proteção dos Direitos Humanos do Mercosul e o Acordo sobre Residência para Nacionais dos Estados Partes.

    Em sua conta no Twitter, a chanceler venezuelana, Delcy Rodriguez, condenou energicamente a decisão dos quatro países, afirmando que ela viola as leis do Mercosul. Uma vez que as decisões do bloco devem ser tomadas em consenso. Depois de acusar Brasil, Paraguai e Argentina de reinventarem a Tríplice Aliança — pacto firmado por Brasil, Uruguai e Argentina na guerra contra o Paraguai, no século 19 — Delcy também aproveitou para alfinetar o Brasil, afirmando que o governo brasileiro atua "de fato" e não de "direito", em outra alusão, desta vez ao impeachment sofrido pela presidente Dilma Rousseff.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o deputado federal Saguas Moraes (PT-MT), também integrante do Parlamento do Mercosul (Parlasul) classificou de “absurda” a decisão dos quatro países do Mercosul de não admitirem a possibilidade de a Venezuela ocupar a presidência do bloco.

    "Temos que repudiar esse tipo de atitude que só faz prejudicar a relação do Brasil com os outros países da América do Sul. O chanceler José Serra tem uma outra visão de subserviência aos Estados Unidos e quer romper relações com quaisquer países que não estejam ligados aos EUA. Queremos que o Brasil possa ter relações comerciais e culturais com o mundo todo, mas não podemos admitir a possibilidade de interrupção do Mercosul. Ele (Serra) quer acabar com o bloco e estabelecer uma relação diferenciada com os Estados Unidos."

    Saguas observa que a Venezuela já está no bloco há algum tempo e Brasil, Argentina e Paraguai estão usando alguns subterfúgios jurídicos para isolar a Venezuela. 

    "Eles não vão sossegar enquanto não afastarem a Venezuela definitivamente do bloco. Esse afastamento é temporário, mas a ideia deles e a afastarem de vez. Nós que somos parlamentares do Mercosul não temos o poder de obrigar o Executivo assumir posições diferentes. Temos como protestar, como estamos protestando", diz Moraes, acrescentando que a saída seria a Venezuela recorrer aos próprios países membros, apesar de estar em minoria.

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    Tags:
    presidência rotativa, afastamento, suspensão, bloco, Venezuela, Uruguai, Argentina, Brasil, Itamaraty, Parlasul, Mercosul, Delcy Rodriguez, José Serra, América Latina, Brasil
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