12:08 20 Junho 2018
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    Associated Press

    Especialista só vê vantagens na operação de aeroporto binacional entre Brasil e Uruguai

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    Brasil e Uruguai estão em negociação para operar o primeiro aeroporto binacional da América do Sul, o de Rivera, cidade próxima ao Rio Grande do Sul. Na semana passada, autoridades de ambos os países estiveram reunidas para definir detalhes do projeto, que voltará a ser discutido em uma nova reunião marcada para a segunda quinzena de agosto.

    O vice-ministro de Turismo do Uruguai, Benjamin Liberoff, disse que o setor turístico de ambos os países será um dos maiores beneficiados com a nova forma de utilização do aeroporto uruguaio, com reflexos também nos negócios imobiliários e de comércio varejista. Segundo Liberoff, um outro benefício pode advir da reativação da rota Montevidéu-Porto Alegre, retomada há pouco pela Azul. Atualmente está em estudo a possibilidade de uma escala no aeroporto de Mendoza.

    O Aeroporto Internacional de Mendoza, também chamado Cerro Chapeu, tem uma pista de 1.830 metros que permite a operação de aeronaves de maior porte. Procurada pela Sputnik  Brasil, a direção do aeroporto informou que atualmente a frequência é de 500 voos por ano, e o horário de funcionamento vai de 7h às 19h. A direção não soube informar se o acordo entre os dois países implicará em obras de extensão e qual seria hoje o investimento necessário para as obras.

    Vizinha de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, Rivera se situa a 500 quilômetros de Montevidéu, tem uma população de cerca de 200 mil habitantes que vivem de forma integrada com os vizinhos gaúchos em uma comunicação denominada portunhol riverense. Uma das principais atividades econômicas da cidade são as lojas de free shop voltadas ao público brasileiro, o que a torna bastante procurada, especialmente agora com a queda do dólar em relação ao real, o que faz alguns produtos saírem até 40% mais em conta do que os vendidos no Brasil. A única exceção é a cota máxima por pessoa, de US$ 300.

    Para Jorge Leal, professor de transporte aéreo e aeroportos da Universidade de São Paulo (USP), o projeto é muito louvável e tem exemplos bem sucedidos no exterior, como o de Dallas-Fort Worth, nos Estados Unidos, inaugurado em 1974, que oferece conexões para 200 destinos e é um dos dez mais movimentados do mundo. Outro, de acordo com o especialista, é o Lausanne-Blechekett, na fronteira entre a França e a Suíça, que começou a operar em 1946 e tem um movimento de 7 milhões de passageiros por ano.

    "No caso do Uruguai. é muito louvável o projeto, porque o que observamos no Brasil, no caso dos aeroportos regionais, é que cidades e municípios querem cada um ter o seu aeroporto. Não existe a ideia de dividir um aeroporto com vários municípios. Isso é muito saudável, ainda mais quando acontece em dois municípios de países distintos, como é o caso de Rivera e Santana do Livramento (RS). O de Rivera deve ter condições melhores que as de Santana. Importante capilarizar esse equipamento social tão importante, que é um aeroporto, capiralizá-para que possa ser utilizado por várias regiões de toda a área que o cerca sem restringir fronteiras, como seria o espírito do Mercosul."

    Leal diz não ver qualquer tipo de limitação para o projeto. Ele observa que nas regiões fronteiriças com o Uruguai e mesmo com a Argentina praticamente não se tem fronteira. A fronteira é uma rua, onde se passa de um lado para o outro sem grandes restrições, o que de certa forma facilita essa operação.

    "Há muitos anos, quando tabalhei na Vasp, ela operava voos para Guajará Mirim, no Acre, e do outro lado da fronteira tem a cidade de Gayará Mirim, na Bolívia, que também tinha um aeroporto. Era o tipo da situação em que, com um entendimento melhor, os dois municípios poderiam dividir um aeroporto apenas." 

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    movimento, passageiros, compartilhamento, aeroportos, integração bilateral, voos, Azul Linhas Aéreas, Rio Grande do Sul, Suíça, Uruguai, EUA, França, Brasil
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