16:16 20 Agosto 2017
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    Donald Trump escuta o discurso do seu filho, Eric Trump, na escola, 2 de agosto de 2016, Virginia

    Qual será futuro da América Latina se Trump estiver no poder?

    © AFP 2017/ MOLLY RILEY
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    Tentar prever qual será a política externa em relação à América Latina do candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump é impossível, afirma Gunther Maihold, vice-diretor da Fundação Ciência e Política (SWP), segundo informa a Deutsche Welle.

    "O que temos ouvido até o momento são exclamações, mas nenhuma abordagem", diz o artigo. De acordo com Maihold, a América Latina "vai ficar sozinha", dado que Trump se declarou contra os Tratados de Livre Comércio (TLC) e negou apoiar economicamente os países em crise ou em desenvolvimento. Assim, enquanto a UE está ocupada com o Brexit, a região latino-americana ficará sem amigos no palco mundial.

    "A América Latina estará um pouco perante uma situação de orfandade internacional", acredita Maihold.

    De acordo com o analista, alguns países latino-americanos tentaram "recuperar o controle e soberania, mas o processo de globalização não é fácil de travar". Não obstante, se destaca que a retórica de Trump é a da negação da globalização. "A pergunta é — qual é o custo que as populações destes países [da América Latina] estão dispostas a assumir na sua rejeição da globalização."

    Contudo, Christopher Sabatini, professor da Universidade americana de Columbia, citado pela mesma edição, assegura que Trump não pode levar adiante algumas de suas propostas, como a construção de um muro na fronteira com o México ou a deportação de mais de 11 milhões de pessoas sem documentos, pois isso seria vetado pelas instituições governamentais. No entanto, Trump pode provocar grandes danos.

    "O primeiro dano é simbólico, pelos sinais que envia às potências estrangeiras. Não é preciso desmantelar a OTAN para enfraquecê-la, como quando ele diz que não é necessário defender os países Bálticos se forem invadidos pela Rússia. Isso já é um sinal poderoso à Rússia", afirma Sabatini.

    Por outro lado, vai ser difícil para Trump receber apoio dos líderes latino-americanos. "É absolutamente claro que ninguém apoiará a um governante nos Estados Unidos que não tem conhecimento ou visão. Isso poderia submetê-lo às influências de grupos de interesse e nepotismo", afirma o analista alemão.

    O caso do México, de acordo com os especialistas, é o mais difícil. "O México enfrentaria uma situação de maior pressão dos EUA para assumir um verdadeiro controle fronteiriço. Nos países da América Central haveria um reforço do controlo da fronteira sul do México. Também veríamos o fortalecimento do comando sul estadunidense em Miami para impor uma cooperação mais militarizada com estes países."

    Quanto a Cuba, Sabatini assegura que Trump tem uma visão mais empresarial do que ideológica em relação à ilha. "Receio que ele olhe para Cuba como uma grande oportunidade para construir seus hotéis e casinos, o que seria uma vergonha", destaca o professor Sabatini.

    A última questão é a Venezuela. "É difícil prever como ele se vai comportar com Venezuela, o único país da região com que os Estados Unidos têm divergências importantes em temas de segurança nacional. Poderá assumir uma linha dura ou simplesmente ignorar a situação", afirma o analista político Javier Corrales, do Amherst College de Massachusetts, também citado pela edição Deutsche Welle.

    O que está claro é que Trump, ao chegar ao poder, provocará uma mudança total nas relações da América Latina com o seu vizinho do norte.

    Tags:
    corrida presidencial, eleições presidenciais, relações internacionais, Donald Trump, Venezuela, México, Cuba, América Latina, EUA
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