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    Homem judeu em Jerusalem durante as manifestações, 16 de junho, 2016

    Como Israel enfrenta invasão econômica chinesa?

    © AFP 2017/ GALI TIBBON
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    O consórcio de companhias chinesas chefiado pela Giant Network Technology Co. está comprando por 4,4 bilhões de dólares a Playtika, a companhia israelense que está desenvolvendo casinos on-line.

    O acordo comercial deve receber a permissão dos reguladores e se supõe que seja celebrado até o fim do ano. Esta é a maior expansão do capital chinês no ramo digital no estrangeiro, depois do recorde mundial da companhia chinesa de telecomunicações Tencent. Ela comprou a companha de aplicativos de jogos finlandesa Supercell por 8,6 bilhões de dólares. Em 25 de julho, o acordo foi aprovado pela Comissão Europeia sem quaisquer objeções do lado dos concorrentes.

    A Giant Network também quis comprar a Supercell, mas perdeu a licitação para a Tencent. Para absorver a Playtika, marca israelense, ela se juntou à Yunfeng Capital (controlada pelo dono de Alibaba, Jack Ma). No consórcio entraram também várias outras empresas.

    A criação do consórcio foi um passo estratégico decisivo para uma absorção bem sucedida da companhia israelense, o que significa a possibilidade de controlar a terça parte no mercado mundial de casinos on-line que lhe pertence. E também o acesso ao software de jogos para dispositivos móveis. Em resultado, o consórcio chinês passou à frente de seu concorrente, a gigante sul-coreana Netmarble Games. Os chineses pagarão ao ex-dono da empresa israelense uns 100 milhões de dólares a mais do que tinham oferecido os sul-coreanos.

    Eliminar o concorrente com uma aposta incomportável — é o modo favorito dos chineses enfrentarem concursos. O capital chinês está comprando ativamente as grandes marcas israelenses. A absorção da Playtika pode ser comparada com a compra das empresas Ahava e Tnuva.

    Estes negócios, além da cooperação bem sucedida nos setores de infraestruturas, de química, de alta tecnologia e agrícola melhoram as relações entre China e Israel. Enquanto isso, em Israel, como de fato também em outros países, o fluxo de capital chinês tanto é bem-vindo, como ao mesmo tempo é aceite com extrema cautela, e até mesmo com receio. Isso mesmo foi confirmado por cientistas políticos em uma entrevista para a Sputnik.

    Leonid Belotserkovsky, cronista e homem público de Israel, compartilhou com a Sputnik sua opinião.

    "Israel olha para isso de modo normal. A maioria dos habitantes está interessada em que não haja perda de postos de trabalho. Desde que a empresa Playtika permaneça em Herzliya, em Israel, e continue tendo gestão independente, então não é tão importante quem é seu proprietário. Não tivemos casos de conflitos dos interesses de proprietários chineses com os interesses de Israel", disse o analista.

    "A expansão do capital chinês é sentida em todo o mundo e em Israel também, sem dúvida. Entretanto a nível doméstico, ela não se sente absolutamente nada. As empresas chinesas compram produtos da atividade intelectual. Não há nada de terrível aqui, eles ainda não têm o controle sobre a economia israelense. Eles não compram pessoas, apenas negócios", sublinha Leonid Belotserkovsky.

    A China compra ativamente tecnologia high-tech israelense. Isso traz a Israel bilhões de dólares em lucros e é um forte argumento para a cooperação com a China. No entanto, esta cooperação também tem opositores, nota Pyotr Lyukimson, cientista político israelense.

    "Há opositores, e muito fortes, principalmente nos círculos políticos. Realmente a expansão econômica da China é sentida. Há um setor da economia nacional que se considera que não devem passar para as mãos do capital estrangeiro. Não importa se este capital é amigável ou hostil. Isso se aplica especialmente às grandes empresas como, por exemplo, a Tnuva. Esta é uma das principais empresas de produção de produtos lácteos, é uma indústria estratégica, transferi-la para mãos estrangeiras é simplesmente perigoso", explica Pyotr Lyukimson.

    "Outra objeção dos opositores da aproximação entre Israel e a China é que a economia chinesa não é transparente. A terceira objeção é raramente falada, mas há hipóteses de que dentro de alguns anos a economia chinesa pode enfrentar uma crise grave. E então, não é claro o que acontecerá com o dinheiro de aposentados israelenses, se Israel, por exemplo, vender à China uma das três maiores companhias seguradoras de Israel, a Phoenix. Todos ouviram falar do futuro desse negócio. Os argumentos que soam no Knesset [parlamento de Israel] e em vários fóruns econômicos são muito sólidos.", conclui Lyukimson.

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    Tags:
    empresas, relações comerciais, invasão, laços comerciais, economia, China, Israel
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