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    Hillary Clinton, Colorado 3 de agosto de 2016

    'Abordagem beligerante' de Clinton apenas prolongará guerra na Síria

    © AFP 2017/ Jason Connolly
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    Daniel McAdams, executivo do Instituto da Paz e Prosperidade Ron Paul (Ron Paul Institute for Peace and Prosperity) compartilhou com a agência Sputnik Internacional a sua opinião, comentando declarações do adjunto de Hillary Clinton de que a Síria será 'a tarefa fundamental'.

    Segundo McAdams, quaisquer ações decorrentes desta declaração levarão a uma deterioração das condições no Oriente Médio.

    Falando com Brian Becker, apresentador do programa na radio Sputnik Internacional, Loud&Clear (Alto e Claro), McAdams disse que as últimas declarações de Jeremy Bash, adjunto de Clinton, se parecem para ele como uma reintrodução da retórica neoconservadora dos EUA na Síria em 2011, quando o principal objetivo era derrubar o presidente Assad.

    Hoje em dia, quando o país está sendo dilacerado por uma guerra civil que dura já cinco anos, estas declarações parecem um bocado desatualizadas.

    "A ideia de que Assad tem destruído o seu próprio povo não é verdade. De fato, já se provou que é uma ideia falsa", disse McAdams.

    Com a declaração de Bash, os apoiantes próximos de Clinton mostraram que escolheram uma "abordagem beligerante" na sua política externa, uma posição normalmente ocupada pelos republicanos neoconservadores. Mas em si, o fato de a política de Clinton se inclinar para a guerra não é surpreendente dada a experiência anterior dela, sublinha McAdams.

    "Não houve nenhuma intervenção que ela não tenha apoiado", diz McAdams. "Ela foi a força motriz que esteve por trás da decisão do seu marido de atacar a Sérvia. Ela apoiou o Iraque e foi a primeira arquiteta da Líbia, Síria. Acho que o seu background mostra isso", disse McAdams.

    Segundo McAdams, não está claro se o envio de tropas para a Síria eliminará o Daesh (grupo terrorista, proibido na Rússia) e outros terroristas, especialmente agora, depois de dois anos de bombardeios dos EUA e de cinco anos de regime sem alteração, levando a dezenas de milhares de civis mortos e destruição do país.

    Neste contexto, as declarações sobre a Síria da campanha de Clinton (e de fato do Partido Democrata), a sua aparente mudança para uma retórica de direita, parecem mais um movimento eleitoral do que um plano de ação claro, frisa o analista.

    "Isto é apenas simples propaganda de guerra," afirma McAdams. "É triste que isto venha de um partido que já teve tantos progressistas que são contra a guerra."

    Mas, de acordo com o analista, as declarações de ambos os candidatos se inclinam para a guerra.

    "Esta é uma cadeia de ferro que domina Washington. Eu acho que eles se sentem confortáveis em saber que Clinton vai dar o que eles querem. E acho que eles também não vão verter lágrimas se Trump ganhar, porque ele também não os vai decepcionar."

    Os Estados Unidos precisam de um presidente que consiga adotar uma postura na política internacional que não seja financiada pelos fabricantes de armas, disse McAdams. No momento este candidato é Jill Stein, do Partido Verde, mas ela não é uma candidata viável.

    "Até que as pessoas percebam que estão gastando 10 milhões de dólares para fazer explodir um tanque na Líbia, como fizemos no início desta semana, isto é, continuar destruindo a classe média e falindo o país, até que se levantem e lutem, vamos ter momentos difíceis."

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    Tags:
    candidata, eleições presidenciais, guerra, Partido Democrata, Hillary Clinton, EUA, Líbia, Síria
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