22:28 23 Junho 2018
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    Primeira-ministra da Grã-Bretanha Theresa May

    Opinião: palavras de Theresa May sobre ameaça da Rússia viram tudo de cabeça para baixo

    © REUTERS / Peter Nicholls
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    O Parlamento da Grã-Bretanha aprovou a modernização do escudo nuclear do país.

    Antes da votação, a primeira-ministra britânica Theresa May declarou que a ameaça que alegadamente provém da Rússia é real. As críticas em relação à Rússia vão aumentar, disse à rádio Sputnik o politólogo Mikhail Smolin.

    O Parlamento da Grã-Bretanha votou a favor da modernização do escudo nuclear do país. Após os debates realizados, a maioria dos deputados – 472 membros do Parlamento – aprovaram o projeto promovido pelos conservadores. Outros 117 deputados votaram contra.

    Antes da votação, a primeira-ministra declarou que considera real a ameaça que, alegadamente, provém da Rússia e da Coreia do Norte. Além disso, ela acusou a Rússia e o líder russo Vladimir Putin da intenção de violar as normas do direito internacional, citando como exemplo a reunificação da Crimeia com a Rússia.

    "Não podemos colocar em risco nossa segurança nacional", declarou May, apelando ao voto pela modernização. "Isso será um jogo sem razão que enfraquecerá nossos aliados e fortalecerá nossos adversários. Um jogo com a segurança dos britânicos comuns", disse.

    Segundo o porta-voz do presidente russo Dmitry Peskov, o Kremlin ficou decepcionado com as palavras de May e espera que a visão objetiva prevaleça. Ele sublinhou que a Rússia participa ativamente dos processos de não proliferação nuclear e defende a cooperação e manutenção das relações de amizade com os países do Ocidente, incluindo a Grã-Bretanha.

    "Sendo que May não possui grande experiência na política externa, ela vai seguir um caminho já percorrido, acusar-nos da violação de algum sistema internacional. Neste caso, segundo eu acho, é importante entender a diferença entre o que nós consideramos um sistema internacional e como esse sistema é interpretado pelos países do Ocidente e pela OTAN. A nosso ver, um sistema internacional é o sistema que foi estabelecido depois dos acordos de Yalta e após a Segunda Guerra Mundial. Mas do ponto de vista do Ocidente este sistema já entrou no passado. Eles acham que eles construíram um novo sistema internacional após a Guerra Fria e após o avanço da OTAN em direção à Europa Oriental", disse Mikhail Smolin.

    O politólogo russo ressaltou que as declarações da primeira-ministra estão longe da realidade.

    "Tudo isto está virado de cabeça para baixo. Quando May diz que nós vamos instalar armas nucleares na Crimeia e em Kaliningrado, então eles querem dizer que somos nós que os ameaçamos com instalação de armas nucleares e não são eles que avançam, ou já avançaram até nossas fronteiras e deslocaram seus mísseis para os países da Europa Oriental", indaga Smolin.

    O politólogo opina que apesar disso a Rússia, por agora, não tem motivo para preocupações sérias, pois as declarações de May são pura retórica.

    "Na verdade, a Grã-Bretanha escolheu entre a UE e a OTAN e na política inglesa vamos assistir ao aumento das críticas em relação à Rússia e a um movimento consecutivo ainda maior na esteira da política dos EUA. Por isso, declarações semelhantes, especialmente as ligadas ao desenvolvimento das forças militares, serão frequentes. Mas temos que aceitá-las de forma tranquila. Essas são as declarações que não são capazes de prejudicar nossos interesses nacionais. Pois tudo isso é simplesmente retórica. Não é uma ameaça crítica para nós", concluiu Mikhail Smolin.

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    Tags:
    Guerra Fria, não-proliferação, direito internacional, ameaça, escudo, Kremlin, Parlamento britânico, União Europeia, OTAN, Dmitry Peskov, Vladimir Putin, Theresa May, Ocidente, Europa Oriental, Crimeia, Coreia do Norte, Rússia, Grã-Bretanha
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