21:27 18 Dezembro 2018
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    Manifestantes protestam contra o golpe militar na Praça Taksim, em Istambul

    Atualização: autoridades da Turquia anunciam que a tentativa de golpe militar fracassou

    © AP Photo/ Emrah Gurel
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    Tentativa de golpe militar na Turquia (109)
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    As autoridades da Turquia, onde aconteceu uma tentativa de golpe militar, declaram que a situação está sob controle e que os rebeldes estão sendo presos. No entanto, segundo testemunhas, os militares insurgidos continuam a realizar ataques.

    Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (Arquivo)
    © AFP 2018 / STR / TURKISH PRESIDENTIAL PRESS OFFICE
    Segundo a emissora NTV, um grupo de militares turcos envolvidos no golpe tenta tomar o prédio do grupo de Doğan Holding (um dos mais importantes grupos económicos da Turquia)e da emissora CNN Turk, em Ancara. Uma intensa troca de tiros também acontece nos arredores do prédio parlamento na capital do país.

    Segundo a Organização Nacional de Inteligência, a tentativa de golpe na Turquia foi empreendida pelo comando da Aeronáutica e da polícia militar.

    Durante a noite, os envolvidos no golpe atacaram uma série de instalações em Ancara, inclusive o prédio do Estado Maior, sedes da polícia, do ministério do Interior e do parlamento. O parlamento também sofreu ataques aéreos, deixando um número ainda desconhecido de feridos.

    Depois do apelo do presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, as ruas das principais cidades da Turquia foram tomadas por milhares de pessoas contrárias ao golpe militar. Na praça Taksim, em Istambul, os militares disparam contra os manifestantes, que protestavam contra a intervenção do exército. Os dados sobre mortos e feridos ainda não foram compilados, segundo informa a emissora NTV, mas pelos menos 6 pessoas morreram durante os tumultos em Istambul. Segundo a agência Anadolu, 17 policiais morreram em Ancara.   

    Golpe fracassa, começam as prisões

    Após algumas horas, desde o início da tentativa de golpe, a Organização Nacional de Inteligência da Turquia informou que a situação no país “voltou ao normal”.

    “A tentativa de golpe militar na Turquia foi suprimida. O responsável é o comando da Aeronáutica e da polícia militar”, declarou o porta-voz da Organização Nacional de Inteligência, Nuh Yilmaz, para a emissora NTV.

    Yilmaz também informou que o comandante do Estado Maior, Hulusi Akar, foi liberado do cativeiro, onde era mantido pelos organizadores do golpe militar, e retornou às suas funções.

    O governador de Istambul, Vasip Sahin, também informou sobre o fracasso da tentativa do golpe militar na Turquia e anunciou que seus organizadores já estão sendo presos.

    A agência Anadolu informou que 13 partidários do golpe militar foram presos durante a tentativa de tomar de assalto o palácio presidencial em Ancara. Entre os detidos, três seriam oficiais de alta patente. 

    O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, declarou que mais de 120 pessoas foram presas por tentativa de golpe no país. 

    As ruas das três maiores cidades do país, Ancara, Istambul e Esmirna, foram tomadas por milhares de pessoas contrárias ao golpe militar. Conforme explicou por telefone ao Sputnik um dos participantes dos protestos, as pessoas não estão defendendo somente o atual governo, mas principalmente se manifestam contra a tentativa dos militares de interferir na vida política do país.  

    “Somos a favor dos princípios democráticos e contra métodos de força”, desse o interlocutor da agência.

    Golpe realiza ataques aéreos

    No entanto, como informam as testemunhas, os partidários do golpe continuam a realizar ataques armados. Inclusive, segundo a emissora NTV, um grupo de militares turcos envolvidos no golpe tenta tomar o prédio do grupo de Doğan Holding (um dos mais importantes grupos económicos da Turquia)e da emissora CNN Turk, em Ancara. 

    Uma verdadeira batalha, com uso de aviação, aconteceu nos arredores do prédio do parlamento. O prédio foi bombardeado, e pelo menos 12 pessoas ficaram feridas. Por enquanto não há notícia sobre mortos. A imprensa local afirma que a maioria das vítimas era da polícia. 

    Mais tarde, o correspondente da agência Sputnik informou sobre uma nova série de explosões nos arredores do parlamento em Ancara. 

    Por volta da meia noite (horário de Brasília), um intenso tiroteio começou nas imediações do parlamento turco e do prédio do Estado Maior do Exército em Ancara, informou o correspondente da Sputnik. 

    A agência Anadolu divulgou que os militares insurgidos abriram fogo contra pessoas contrárias ao golpe, que se reuniram em frente ao Estado Maior do exército. Há mortes e feridos. 

    Tiroteios semelhantes aconteceram neste noite em Istambul.

    Segundo revelado por testemunhas à agência Sputnik, militares turcos, envolvidos no golpe, dispararam contra um grupo de pessoas no centro de Istambul, que estavam protestando contra a intervenção do exército.

    “Na madrugada do sábado, por convocação de Erdgogan, grupos de manifestantes começaram a ocupar o centro de Istambul, em sua maioria eram homens, para protestar contra o golpe. Ao mesmo tempo, os muezim (os encarregados de anunciar em voz alta, do alto dos minaretes, o momento das cinco preces diárias) começaram a cantar, apesar de não ser ainda o tempo para a prece da manhã. Assim, foi dado o sinal para o início dos protestos”, contou uma testemunha. 

    “Um grupo de manifestantes entrou na praça Taksim e se aproximou dos militares, que naquele momento estavam controlando a praça. Os militares abriram fogo contra a multidão”, disse à agência Sputnik uma das pessoas que presenciou os acontecimentos.

    Em seguida, segundo as testemunhas, uma aeronave militar realizou ataques aéreos sobre a praça no centro de Istambul.

    “Durante toda a noite, caças sobrevoavam a praça de Taksim, onde se reuniram os militares, e umas três ou quatro bombas foram disparadas. Aconteceram explosões fortes”, contou o interlocutor da agência.

    Erdogan fala para a nação

    O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, cuja localização estava até então desconhecida, aterrizou no aeroporto internacional de Istambul e fez um pronunciamento à nação, durante o qual declarou que foi feita uma tentativa de golpe contra a união e a unidade da Turquia. Erdogan, disse que estava em um hotel na cidade de Marmaris, no sudeste do país, e que o prédio foi bombardeado logo depois de sua partida.

    “Vamos limpar o nosso exército de traidores. Eles levantaram as armas contra o povo. Haverá muitas prisões ainda nas nossas forças armadas, inclusive nos postos mais altos”, continuou o chefe de Estado.

    O presidente turco também disse que caças da força aérea do país já decolaram para destruir um helicóptero, que está atacando o parlamento da Turquia em Ancara.

    Oposição nega ter participação no golpe

    Um grupo de partidários do pensador islâmico de oposição Fethullah Gulen, residente nos EUA, negou acusações de participação da tentativa de golpe militar na Turquia, informou agência Reuters.   

    O presidente turco, em algumas ocasiões, acusou Gulen de tramar um golpe de estado no país. Ancara oficial chama as atividades dos partidários de Gulen de “estado paralelo”. Segundo Erdogan, o pensador islâmico tem como objetivo a derrubada do atual governo. Ainda este ano, centenas de militares, oficiais da polícia e dos serviços de segurança foram presos por suspeita de ligações com Gulen.

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    golpe de Estado, golpe militar, Sputnik, CNN, NTV, Dogan, Muhammed Fethullah Gülen, Nuh Yilmaz, Vasip Şahin, Recep Tayyip Erdogan, Ancara, Istambul, Turquia
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