09:47 18 Agosto 2017
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    Sede do Conselho Europeu em Bruxelas

    Ocidente quer, mas receia investimento chinês

    © AP Photo/ Michel Euler, File
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    Um funcionário europeu apelou aos europeus para terem em consideração o potencial da China e aproveitarem a possibilidade da cooperação em investimentos, porque a China se tornará o jogador principal em esferas com alto valor acrescentado.

    A Europa deve se concentrar em atrair investimentos chineses na área de tecnologias da informação e de telecomunicações. Esta declaração foi feita pelo presidente da associação comercial ChinaEU Luigi Gambardella e foi citada no dia 7 de julho pelo jornal China Daily.

    Luigi Gambardella pensa que a Europa deve ser mais ativa no fortalecimento da cooperação com a China no setor digital. O artigo com esta declaração surgiu no China Daily dois dias depois de um apelo regular de Pequim a Bruxelas para criar "condições racionais e transparentes para os negócios" a fim de realizar acordos de fusão e aquisição.

    Mas também há receios. Exemplos demonstrativos disso são os rumores na Alemanha sobre um acordo de aquisição do gigante projetista de robôs Kuka e sobre uma possível privatização do aeroporto de Frankfurt-Hahn. Em ambos os casos os círculos políticos da Alemanha fazem uso de pressões fortes sobre os empresários, bem como sobre as autoridades, para fazer malograr essas transações. Mas, apesar de tudo, a companhia chinesa de tecnologias domésticas Midea está comprando o gigante Kuka. Já a aquisição do aeroporto está adiada por causa de atraso na transferência de fundos pelo investidor chinês para as contas de seu parceiro alemão.

    O especialista do Instituto da Europa da Universidade Popular da China Huang Weiping julga que ambos os lados devem desenvolver a cooperação, apesar das barreiras aos investimentos:

    "Acho que, embora não haja decisão definitiva sobre o acordo de investimentos entre a Europa e a China, o processo de cooperação em investimentos entre a UE e a China está se intensificando e estimulando. <…> A maneira melhor para desmantelar as barreiras aos investimentos é usar a primeira regra dos homens de negócios – sempre o benefício comercial e nunca envolver no negócio os motivos políticos".

    Qualquer que seja o caso, a ausência de um acordo de investimentos entre a China e a UE se mantem como obstáculo grave a uma cooperação completa. As negociações entre os países já continuam por mais de cinco anos, mas o progresso é insignificativo, apesar do forte lobismo por parte dos chineses. O desejo dos europeus de obter mais investimento chinês, mas ao mesmo tempo os receios crescentes de permitir o capital chinês de entrar em sua economia, são considerados uma contradição natural e invencível pelo especialista do Instituto do Extremo Oriente Jacob Berger:

    "A China se desenvolve depressa demais, compra ativos estrangeiros depressa demais. Uma era em que a China domine na área de alta tecnologia se torna cada vez mais próxima e provoca um medo natural".

    A mesma tendência é observada no estado dos investimentos entre a China e os EUA. Nas margens da cimeira bancária e de investimento nos Estados Unidos, o representante comercial do país Michael Froman disse que os EUA estavam interessados em investimento chinês, mas que as propostas da parte chinesa nesta área "estavam para além de ser aceitáveis". A China também tem muitas pretensões contra os parceiros americanos por não obter um acesso justo do investimento chinês aos setores sensíveis da economia americana.

    Estas contradições vão se agravar em um ambiente de mudança de poder nos EUA e as partes vão negociar de forma encarniçada esta questão, avisam os especialistas.

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    benefícios, barreiras, investimento estrangeiro, investimento, Bruxelas, Europa, EUA, China
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