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    Apesar do Brexit, a China está disposta a reforçar sua cooperação com a UE, usando a Grécia como o "membro fraco" da União. Isso foi confirmado durante a reunião na cúpula sino-grega em Pequim. O chefe do governo da Grécia, pela primeira vez em 10 anos, efetuou uma visita oficial à China em 2-6 de julho.

    Em uma reunião com o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, o seu homólogo chinês Li Keqiang sublinhou o papel de Atenas no desenvolvimento das relações entre a UE e China. Ele também enfatizou que a China apoia firmemente o processo de integração na UE, porque a uma aliança próspera e estável serve os interesses de todas as partes. Alexis Tsipras, por sua vez, anunciou sua intenção de transformar a Grécia em um elemento de ligação entre a China e a UE e de promover a cooperação neste formato.

    Aparentemente, as partes consideram que o significado da visita do primeiro-ministro grego é maior do que um simples encontro bilateral. A ideia de Alexis Tsipras é fortalecer a Grécia com a ajuda da China, abrir novas oportunidades para Atenas e encontrar novos trunfos nas negociações com Bruxelas. Além disso, o exemplo positivo da cooperação com a China poderia dar um impulso para atrair investimentos estrangeiros à Grécia. Após as conversações dos primeiros-ministros em Pequim, foram assinados várias acordos de cooperação comercial, econômica, científico-tecnológica e na área do turismo.

    O professor da Academia Diplomática chinesa Su Hao contou em uma entrevista à Sputnik qual o papel da Grécia nas relações entre a China e a UE.

    "A situação econômica na Grécia é desfavorável, especialmente com o início da crise da dívida na Europa, em que a economia do país está baixando, levantando problemas sociais. No entanto, a China ainda considera a Grécia como um país muito importante. Primeiramente, do ponto de vista geopolítico. É um país-chave no roteiro da Ásia para a Europa e um país importante no contexto da iniciativa chinesa 'um cinturão, uma estrada'. Do ponto de vista político, a Grécia é um país da UE. A crise da dívida na Europa revelou uma série de problemas da Grécia nas suas relações com outros países da União. No entanto, na visão chinesa, se Atenas for capaz de resolvê-los com sucesso, então poderia desempenhar um papel importante no processo de integração na UE. Além disso, após a decisão britânica de sair da EU, o estatuto da Grécia se tornou específico. A China quer ver a Europa como um único mecanismo político e econômico, e se a Grécia for capaz de continuar a permanecer na UE, isso será extremamente importante. Então, a China está reforçando as relações políticas e econômicas com a Grécia, bem como ajudando o país a permanecer na UE."

    ​Durante as negociações com Alexis Tsipras, Li Keqiang disse que a China está pronta para trabalhar com a Grécia na transformação do porto de Piraeus no principal centro de logística do Mediterrâneo e torná-lo em uma porta de entrada dos produtos chineses para a Europa. Isso permitirá que os dois países recebam benefícios reais da cooperação bilateral.

    O porto de Piraeus, Grécia
    © flickr.com / Bas Leenders
    O porto de Piraeus, Grécia

    Este projeto é estrategicamente importante para a China, disse em uma entrevista à Sputnik Aleksei Maslov, analista da Escola superior da economia da Rússia.

    "Isso faz parte de um projeto global da China, porque na verdade estamos falando sobre o controle do transporte marítimo transcontinental. Atualmente, a intensidade do transporte marítimo através do porto de Piraeus diminuiu um pouco nos últimos anos. Primeiramente, porque o porto possui uma infraestrutura relativamente antiga e exige novos investimentos. Por outro lado, em geral, o comércio interno na Europa diminuiu ligeiramente. Se a China investir na infraestrutura do porto, isso, no final das contas, pode torna-lo em uma parte marítima do Cinturão Econômico da Rota da Seda".

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    Tags:
    relações bilaterais, investimentos, transporte, porto, comentário, entrevista, ajuda, visita, negociações, Brexit, Li Keqiang, Alexis Tsipras, Atenas, União Europeia, Grécia, China
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