03:47 24 Setembro 2017
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    Premiê da Rússia Dmitry Medvedev com vice-presidente do Brasil Michel Temer em Moscou, em 16 de setembro

    Rússia está 'pronta a cooperar com qualquer governo do Brasil eleito pelo povo'

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    Ekaterina Kozlova, Andrei Neumoin
    Brasil entre Temer e Dilma (110)
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    No âmbito do encontro que está sendo realizado nesta quinta-feira (30) no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, o embaixador russo no Brasil, Sergei Akopov, comentou à Sputnik as próximas Olimpíadas e a situação em torno do impeachment de Dilma Rousseff.

    Sputnik: O governo do Temer já está no poder há um mês e meio. Como este governo afetou as relações russo-brasileiras? Se ele permanecer no poder, quais são as perspectivas?

    SA: No que diz respeito ao governo do Temer, o governo dele ainda é interino e o próprio Michel Temer é oficialmente um vice-presidente que está exercendo interinamente a função do presidente. O processo ainda não foi concluído, a data exata de votação é desconhecida, e ainda é difícil dizer qual será o resultado dessa votação.

    É possível que não haja acusações contra a presidenta Dilma. Estamos acompanhando com muita atenção o desenvolvimento da situação política no Brasil, é claro que nós não podemos deixar de nos preocupar com isso. O Brasil é nosso parceiro estratégico e nós desejamos sinceramente ao povo brasileiro que, o mais próximo possível, supere suas dificuldades políticas no quadro do campo constitucional e continue desenvolvendo o país.

    No que toca às nossas relações com Brasil, elas não têm nem caráter partidário, nem ideológico, estas relações são intergovernamentais, nós estamos prontos a cooperar com qualquer governo eleito pelo povo. E, como eu sei, esta posição também é seguida pela parte brasileira. Esta é uma garantia de que as relações russo-brasileiras não dependem das perturbações internas e não devem passar por quaisquer mudanças sérias. Estamos somente contando que eles se continuem desenvolvendo.

    O embaixador da Rússia no Brasil Sergei Akopov e o então ministro da Defesa do Brasil Jaques Wagner. 10 de fevereiro, 2016
    © flickr.com/ Ministério da Defesa/PH Freitas
    O embaixador da Rússia no Brasil Sergei Akopov e o então ministro da Defesa do Brasil Jaques Wagner. 10 de fevereiro, 2016

    S: Ontem surgiu a informação de que a decisão de impeachment vai ser adiada e, possivelmente, será processada ou durante, ou após os jogos Olímpicos. Isso irá afetar a realização dos jogos Olímpicos? Poderão ocorrer protestos?

    SA: Claro que é difícil prever — a situação não é comum, eu provavelmente não me consiga recordar de situações parecidas em países anfitriões dos Jogos Olímpicos. A parte brasileira assegura que tudo irá decorrer em um nível altíssimo, que tudo será bem organizado. Da organização das Olimpíadas cuida a cidade do Rio de Janeiro, e o prefeito declara que eles dispõem de todos os recursos e possibilidades. Esperamos que tudo corra de forma normal. Quanto à votação, esta questão tem divergências, ouvi falar que ela deve ocorrer em setembro, o que significa — depois das Olimpíadas, veremos, repito: a questão é difícil de prever, mas eu acredito que as autoridades brasileiras farão todo o possível para que este processo político interno do país não afete a realização dos Jogos Olímpicos.

    S: E os nossos atletas estão se preparando para viajar? Você já está ajudando com isso?

    SA: Sim, apesar de todos os escândalos de doping e outras dificuldades, lá [nos Jogos Olímpicos] há diferentes esportes e diferentes equipes que, com certeza, vão participar da competição. E os nossos turistas também estão indo, já está em andamento uma confirmação de reservas de lugares e assim por diante, em nossos escritórios consulares e embaixadas nós estamos nos preparando para prestar aos nossos turistas, ao nosso público e aos atletas toda a ajuda necessária. Assim, esperamos que tudo corra bem.

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    Tags:
    cooperação bilateral, Olimpíadas, Embaixada da Rússia no Brasil, Michel Temer, Dilma Rousseff, Rússia, Brasil
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