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    Ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov com o seu homólogo francês Jean-Marc Ayrault  em Paris, em 29 de junho, 2016

    De que fala Lavrov na coletiva de imprensa conjunta com seu homólogo francês?

    © AFP 2018 / PATRICK KOVARIK
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    Na coletiva de imprensa conjunta em Paris, o ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov e seu homólogo francês Jean-Marc Ayrault comentaram a crise síria, as relações russas com a Turquia, o ataque contra o aeroporto de Istambul e os laços bilaterais.

    Relações russo-franceses no meio das sanções

    O ministro francês afirmou que a Rússia e a França são parceiros e precisam de trabalhar em conjunto, apesar das dificuldades. Ayrault disse que nenhuma das empresas francesas deixou o mercado russo a despeito das sanções contra a Rússia.

    Em junho, o Senado francês aprovou, pela maioria esmagadora, uma resolução pedindo ao governo o aliviar das sanções contra a Rússia. Em abril, a Assembleia Nacional, câmara baixa do parlamento francês, aprovou uma resolução similar.

    As relações entre a Rússia e o Ocidente se deterioram no meio da crise de 2014 na Ucrânia. A União Europeia, os Estados Unidos e seus aliados introduziram várias rodadas de sanções antirrussas desde a reunificação da Crimeia com a Rússia em 2014, acusando Moscou de ter interferido no conflito ucraniano, uma afirmação que as autoridades russas negaram repetidamente.

    Cúpula da OTAN em Varsóvia

    O chefe da diplomacia francesa também afirmou que a próxima cúpula da OTAN em Varsóvia não deve ser uma cúpula de confrontação com a Rússia.

    Lavrov disse que a Rússia vai monitorar a cúpula da OTAN, incluindo as decisões da Aliança referentes à atividade perto das fronteiras russas.

    "Eu acho que a transparência e a abertura vão dominar as nossas relações, e nós temos um monte de trabalho para fazer a este respeito", destacou Ayrault.

    Ele também disse que um encontro do Conselho Rússia-OTAN pode ser realizado após a cúpula da Aliança na Polônia, que terá lugar em 8-9 de julho. A OTAN espera tomar uma decisão final sobre a instalação de quatro batalhões na Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia.

    A primeira reunião, em dois anos, do Conselho Rússia-OTAN a nível de enviados permanentes foi realizada em 20 de abril, mas não produziu quaisquer resultados significativos devido à discordância dos lados sobre uma série de questões geopolíticas.

    Crise na Síria

    O ministro das Relações Exteriores russo repetiu seus anteriores apelos ao Ocidente para instigarem os grupos de oposição sírios a cortarem os laços com grupos terroristas da al-Nusra. Lavrov disse que a Rússia está disposta a cooperar com todos os países para a resolução do conflito sírio. Ele espera que o diálogo com a Turquia seja restaurado para resolver a crise síria. A declaração vem na sequência das conversações telefônicas entre o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo turco Recep Tayyip Erdogan. Os líderes concordaram em restaurar a cooperação nas esferas do comércio, turismo e luta contra o terrorismo.

    "Agora que o presidente russo recebeu as desculpas do presidente turco, e que hoje eles discutiram as possibilidades da normalização das relações por telefone, eu acredito que nós e os nossos parceiros turcos vamos restabelecer a cooperação para resolver a crise síria", disse Lavrov.

    Depois das negociações com o ministro francês, Lavrov destacou que Ancara foi responsável por prevenir o uso do seu território como zona de trânsito para terroristas que viajam para a Síria e o Iraque.

    Lavrov também disse que o grupo da oposição Alto Comitê de Negociações (HNC) da Síria, apoiado pela Arábia Saudita, tomou uma posição não construtiva nas negociações de paz em Genebra.

    "A oposição que se chama Alto Comitê de Negociações está tomando uma posição absolutamente não construtiva de ultimatos e até mesmo recusa sentar na mesma mesa com outras partes da Síria."

    De acordo com o diplomata russo, a oposição que trabalha com Moscou apresentou propostas para reformas políticas na Síria.

    Ataques em Istambul

    Os ministros das Relações Exteriores francês e russo concordaram sobre a necessidade de lutar conjuntamente contra o terrorismo, após o ataque no aeroporto de Istambul na terça-feira, disse Ayrault.

    "Queremos expressar a nossa solidariedade com o povo turco, com todos os nossos amigos, expressar a nossa simpatia e condolências às famílias das vítimas. (…) É necessário impulsionar a cooperação internacional para combater o terrorismo", disse Ayrault na coletiva de imprensa conjunta com Lavrov.

    O ministro russo disse, comentando o ataque em Istambul, que para combater o terrorismo são necessários os esforços conjuntos de todos os estados. Ele acrescentou que apenas a condenação de tais ataques não eliminará o terrorismo.

    Na terça-feira, três explosões foram provocadas por suicidas no aeroporto internacional Ataturk, em Istambul, deixando pelo menos 41 mortos e 239 feridos. O primeiro-ministro turco Binali Yildirim disse que três homens-bomba participaram do ataque. De acordo com as indicações iniciais, o Daesh é o responsável por este ataque terrorista, embora a investigação ainda esteja em andamento

    Tags:
    sanções, Assembleia Nacional da França, Daesh, Frente al-Nusra, OTAN, Jean-Marc Ayrault, Recep Tayyip Erdogan, Sergei Lavrov, Vladimir Putin, Varsóvia, Polônia, Istambul, Turquia, Síria, França, Paris, Rússia
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