02:51 21 Janeiro 2018
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    Militantes rebeldes da oposição síria

    Anatomia da guerra: Porque aliados de Washington na Síria se querem matar uns aos outros

    © REUTERS/ Ammar Abdullah
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    Dois grupos no território da Síria que receberam ajuda dos EUA, as Unidades de Proteção Popular (YPG) e o Exército Livre da Síria (FSA em inglês) estão tentando destruir o Daesh mas, em vez de serem aliados, eles estão de fato se combatendo um ao outro.

    As tensões escalaram mais neste mês quando os rebeldes afiliados com o FSA lançaram um míssil guiado contra as posições de YPG em Aleppo. Os curdos afirmaram que as armas foram fornecidas pelos EUA.

    Existem muitos pontos de discordância entre os curdos e o FSA. Os curdos tentam ter maior autonomia, enquanto os rebeldes receiam que estes possam fraturar o país. Além disso, o FSA tem tentado afastar Bashar Assad do poder, enquanto os curdos não o classificam como inimigo.

    O FSA acusou também os curdos de realizarem limpezas étnicas nas áreas árabes libertadas de terroristas. Os curdos negam tais acusações.

    O acadêmico de língua árabe Leonid Isaev enumerou três principais grupos de oposição da Síria – o grupo de Riad, o grupo de Moscou e o grupo do Cairo. Eles foram formados segundo a mesma lógica: as forças da oposição no estrangeiro combinadas com as forças locais na Síria.

    "Todas as partes precisam umas das outras, apesar de na verdade não haver confiança mútua", acrescentou ele.

    "Vários comitês e conselhos de políticos expatriados da Síria têm tentado obter o apoio dos grupos que estão participando na guerra e tomar cercas áreas sob seu controle. Outros estão também interessados em obter alguém que possa representá-los em Genebra".

    Como resultado, o grupo de Riad obteve o apoio da Frente Islâmica e do FSA. O assim chamado grupo de Moscou obteve o apoio do Partido Social Nacionalista Sírio (SSNP em inglês) enquanto o grupo do Cairo tem laços com os curdos do YPG.

    "O Exército Livre da Síria uniu outros grupos e movimentos que existem na Síria. Em resultado em agosto de 2014 eles formaram a parte interna do grupo de Riad, o Conselho do Comando Revolucionário da Síria (SRCC em inglês) que inclui mais de 70 fações diferentes", acrescenta Isaev.

    O SRCC tem sido flagelado pelas diferenças entre os islamistas e grupos seculares. As relações entre os membros do SRCC e Frente al-Nusra provaram ser um desafio adicional.

    "Tecnicamente cada grupo do conselho deveria ser contra [a Frente al-Nusra] enquanto eles são aliados da coalizão antiterrorista encabeçada pelos EUA. Mas certos grupos, particularmente a Frente Islâmica e a Frente Levante, com base em Aleppo, permaneceram aliados da Frente al-Nusra mesmo quando eles se juntaram com o SRCC", explicou analista.

    Escusado será dizer que os grupos seculares não ficaram muito satisfeitos com tais relações.

    Segundo o analista, o grupo do Cairo tem o poder político devido aos seus laços estreitos com os melhores combatentes curdos.  Os curdos, por seu lado, classificam as relações com o grupo como a oportunidade de comunicar com os países árabes.

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    Tags:
    grupos, coalizão internacional, militantes, aliados, relações, oposição, Frente al-Nusra, Cairo, Riad, Síria, Moscou, EUA
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