09:57 20 Setembro 2017
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    Dois ativistas com a bandeira da UE e Union Jack pintadas em suas caras beijam-se em frente ao Portão de Brandenburgo para protestar contra Brexit em Berlim. 19 de junho e 2016

    Mundo chocado com decisão dos britânicos

    © REUTERS/ Hannibal Hanschke
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    Brexit: reações e consequências (121)
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    Este dia (24) será histórico não só para o Reino Unido mas também para todo o mundo. Enquanto uns países já querem seguir o exemplo dos britânicos, outros estão "de luto".

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    Os resultados do referendo – 52% a favor do Brexit – são significam que a crise interna no país acabou. Pelo contrário, podem levar à divisão do país. 

    A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, afirmou que a votação da Escócia no referendo a favor da permanência mostra o seu desejo de fazer parte da União Europeia. 

    “O referendo deu um sinal claro que o povo escocês vê o seu futuro junto com a UE”, disse ela.

    De acordo com os resultados da votação, os cidadãos das maiores cidades votaram a favor da permanência na UE: 66,6% em Glasgow e 74,4% em Edimburgo.

    Bandeiras a favor do Brexit, Ramsgate, 13 de junho, 2016.
    © AFP 2017/ Chris J Ratcliffe
    Antes Nicola Sturgeon advertira que, em caso de Brexit, o Partido Nacional Escocês iria realizar um novo referendo sobre a independência.

    Ainda mais significativos foram resultados na Irlanda do Norte que também mostraram a vontade de permanecer na União Europeia, enquanto a Inglaterra e País de Gales foram na maioria eurocéticos. 

    O partido nacionalista da Irlanda do Norte, Sinn Féin, até afirmou que o Brexit será pretexto para se reunificar com a Irlanda.

    “Isso vai significar que o governo perdeu o direito de representar os interesses da Irlanda do Norte”, — disse o líder do partido Declan Kearney.

    União Europeia, coragem!

    Os partidos de extrema-direita já chamam a seguir o exemplo do Reino Unido. Assim, o líder do Partido para a Liberdade holandês, Geert Wilders, o político mais popular na véspera nas eleições gerais, disse: 

    "Queremos ser responsáveis pelo nosso país, pelo nosso dinheiro, pelas nossas fronteiras, pela nossa política de imigração. Os Países Baixos têm de ter a oportunidade o mais rápido possível de expressar a sua opinião sobre a permanência holandesa na União Europeia".

    Marine Le Pen, líder do partido francês Frente Nacional, também pediu a realização de um referendo análogo em França.

    Por sua vez, diversos outros políticos em exercício deploram o espírito de separatismo britânico.

    "O Brexit é o maior golpe contra o processo da integração europeia depois da Segunda Guerra Mundial", escreveu no seu Twitter o presidente do parlamento tcheco, Yan Hamacek.

    O chanceler francês Jean-Marc Ayrault afirmou que estava desolado pelos resultados do referendo.

    "A União Europeia continuará a existir, mas deve reagir e recuperar a confiança das pessoas. Isso deve ser feito sem demora, disse Ayrault, citado pela agência Reuters.

    Segundo a Reuters, o ministro do Exterior polonês, Witold Waszczykowski, também expressou pesar: 

    “É uma má notícia para a Europa, para a Polônia. É um grande dilema para os eurocratas, queremos todos preservar a UE, o problema é saber qual será a sua forma",

    Ainda mais emocional mostrou-se o vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel:

    "Caramba! Um dia mau para a Europa", escreveu ele no seu Twitter.

    O chanceler alemão, por sua vez, chamou as notícias vindas da Grã-Bretanha de "preocupantes".

    Outros países preocupados com os seus interesses

    O Japão destacou que, dados os resultado do referendo, iria agir de acordo com os seus interesses. O país está preocupado com o crescimento do câmbio do iene, que não é vantajoso para os exportadores japoneses, e com a situação dos milhares de empresas que têm filiais no Reino Unido. O país serviu de “porta de acesso à UE” para as companhias japonesas. Caso este saia da União, os produtos japoneses vão ser sujeitos a taxas aduaneiras.

    O governo indiano, por sua vez, não está incomodado com as consequências do Brexit, disse um representante do Ministério das Finanças, frisando que a Índia tem bastantes reservas internacionais.  

    Já a Ucrânia tem a certeza de que o referendo britânico afetará as suas relações com a UE, nomeadamente a isenção de vistos pode ser adiada.

    Segundo o vice-presidente da Suprema Rada (parlamento ucraniano), Irina Geraschenko, os problemas internos da União Europeia fazem os líderes europeus concentrar-se na situação dentro da UE, “fechando olhos” a tudo o que acontece fora dela.

    Tema:
    Brexit: reações e consequências (121)
    Tags:
    Brexit, Grã-Bretanha
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