Mar do Sul da China se torna arena de rivalidade entre Washington e Pequim

© REUTERS / Erik De CastroSoldados filipinos apontam em um navio chinês da Guarda Costeira perto das Ilhas Spratly, no mar do Sul da China
Soldados filipinos apontam em um navio chinês da Guarda Costeira perto das Ilhas Spratly, no mar do Sul da China - Sputnik Brasil
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Os dois maiores do mundo porta-aviões estadunidenses, USS John C. Stennis e USS Ronald Reagan, estão participando em exercícios militares no mar das Filipinas, informou o jornal Navy Times esta terça (21).

No treinamento participam 12 mil marinheiros, 140 aeronaves e seis navios de guerra. "Nenhuma Marinha pode deslocar tanto poderio militar para o mesmo mar. É realmente impressionante", afirmou o almirante norte-americano Marcus Hitchcock, comandante do grupo de porta-aviões.

​De acordo com o Pentágono, essas manobras não são uma resposta a qualquer crise, porque estão incluídas no programa de treinamentos. No entanto, de acordo com especialistas, estas ações podem ser consideradas como um sinal para a China sobre a inadmissibilidade das ações de Pequim na região.

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O Ronald Reagan saiu do porto de origem Yokosuka (Japão) em 5 de junho. No mesmo dia o Stennis deixou o mar do Sul da China, onde ele tinha estado navegando desde início de abril e onde Pequim mantém disputas territoriais com vários vizinhos. Durante três meses, o Stennis simbolizou a resposta dos EUA às ações da China na região. Estamos falando sobre ilhas, de fato controlados pela China, mas as quais também são reivindicadas por outros Estados. A China está desenvolvendo a infraestrutura das ilhas, construindo ilhas artificiais e, de acordo com os seus adversários, pretende controlar uma parte significativa do mar do Sul da China. Disso não gostam nem os vizinhos de Pequim, nem o Japão, que depende das rotas marítimas na região, nem os Estados Unidos. Pequim, ao mesmo tempo, acredita que estes países utilizaram o apoio dos EUA para escalar a tensão na região. Em particular, uma patrulha das Filipinas conjunta com os EUA no mar do Sul da China, com participação do porta-aviões Stennis, foi considerada por Pequim como "reflexo da mentalidade da Guerra Fria" e da militarização da região.

© Foto / Wikipedia/Voice of AmericaO mapa dos territórios em disputa no mar do Sul da China
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Os países envolvidos no conflito do mar do Sul da China estão aguardando a decisão do tribunal arbitral da ONU, que no momento está considerando a reclamação das Filipinas em que Manila disputa as reivindicações chinesas na zona econômica exclusiva em torno de uma série de recifes, rochas e outras formações no arquipélago da Spratly e alguns outras áreas marítimas. Se a decisão do tribunal não for favorável à China, os Estados Unidos e seus aliados na região exigirão que a China reconheça e execute a decisão judicial que será obrigatória para as partes da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Muito embora os próprios Estados Unidos ainda não tenham ratificado este documento jurídico internacional.

A Rússia, nesta situação, adopta a uma posição de não interferência. De acordo com o orientalista russo Ilya Usov, isso serve os interesses de Moscou, permitindo-lhe desenvolver relações diversificadas com todos os países da Ásia-Pacífico e manter uma parceria privilegiada com a China.

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"A situação mudou devido ao crescente papel da China na região. Como jogador forte com uma posição ofensiva bastante ativa, Pequim intimida os vizinhos com quem antes tinha relações historicamente difíceis. Mas, estes países são promissores parceiros da Rússia em seu vetor oriental do desenvolvimento, o que foi mostrado na recente cúpula da ASEAN-Rússia em Sochi. Portanto, a Rússia não tem intenção de mudar sua posição da neutralidade e, mesmo do ponto de vista geográfico, não pode ser considerada como parte do conflito. A Rússia sempre insistiu que as partes devem resolver o conflito através do diálogo pacífico", afirmou ele.

De acordo com Usov, se, hipoteticamente, supormos que a Rússia apoie qualquer parte nesta disputa, podemos dizer com certeza que isso iria levar ao fracasso completo da sua política externa na região da ASEAN e a consequências imprevisíveis nas relações com uma série de países da região.

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