09:01 18 Novembro 2018
Ouvir Rádio
    Hacker

    China e EUA tentam evitar guerra cibernética

    © AFP 2018/ THOMAS SAMSON
    Mundo
    URL curta
    0 20

    Pequim e Washington estão satisfeitos com o diálogo para combater o crime no ciberespaço. A agência Xinhua destacou sete linhas de orientação em que houve avanços com os resultados da segunda rodada de consultas em Pequim. A representante dos EUA Suzanne Spaulding sublinhou o progresso na troca de informações sobre ameaças cibernéticas.

    O especialista em inteligência competitiva Yevgeny Yuschuk acredita que o regime reflete o desejo da China e dos EUA em excluir os fatores imprevistos que possam dar início a uma guerra cibernética.

    A Xinhua falou dos principais resultados das rodadas de negociações de alto nível, a primeira foi em dezembro do ano passado em Washington, a segunda — nos dias 13 e 14 de junho em Pequim. As partes têm um plano de ação. A colaboração na defesa do ciberespaço está sendo intensificada. Há troca de informações, inclusive sobre os crimes já resolvidos. Finalmente, há um acordo sobre a terceira rodada de diálogo.

    As autoridades dos EUA estão satisfeitas com o progresso na troca de informação com a China sobre ameaças cibernéticas, disse a porta-voz do Departamento de Segurança interna dos EUA Suzanne Spaulding. Ela também salientou a importância de contatos contínuos com a China nesta área e a necessidade de implementação na prática dos resultados da cooperação dos negociadores e especialistas de alto nível.

    Os observadores prestaram atenção ao fato de as partes terem mitigado as acusações mútuas sobre ataques de hackers.

    Yevgeny Yuschuk, professor da Universidade Econômica Estatal dos Urais e especialista em inteligência competitiva, comentou em uma entrevista à Sputnik os esforços da China e dos EUA para saírem da sombra de uma guerra cibernética:

    "A situação reflete o ambiente que havia nos tempos da corrida armamentista nuclear. É muito caro e é muito perigoso, na verdade, porque existem infraestruturas, cuja neutralização pode ser perigosa para a sociedade e ter consequências graves."

    "Nesta situação é necessário, como mostrou a experiência de confronto nuclear nos anos 70 e 80 do século passado, excluir sempre dois fatores. Primeiro, a pressão acidental no gatilho, quando a ação do outro lado seja interpretada incorretamente. Segundo, é o de terceiras partes, que podem interferir nos interesses dos dois Estados. Portanto, essas relações sino-americanas são em primeiro lugar uma possibilidade de excluir os fatores imprevistos e não necessariamente gestos de boa vontade ou de boas relações de uns com os outros".

    Ao começar as consultas intergovernamentais sobre crimes no ciberespaço, Xi Jinping e Barack Obama, em setembro de 2015, não se pronunciaram sobre a capacidade de limitar as informações. Isso também é totalmente compreensível, acredita Yevgeny Yuschuk.

    "Não faz sentido silenciar ou não a reciproca coleta de dados, ou a espionagem industrial… o fato é que em qualquer país — no Reino Unido, Rússia ou EUA, há legislação que regula a inteligência no contexto de quem a realiza, mas também no contexto de alguém que é objeto de ações de inteligência. Portanto, nem a China, nem os Estados Unidos, têm nada a esconder ou a não esconder, isso está predefinido e é compreensível. Para além disso, a coleta de dados é considerada como uma atividade absolutamente normal, porque simplesmente não há outro jeito para obter informações privilegiadas."

    Mais:

    Instituições secretas que puxam os fios do mundo
    Serviços secretos britânicos se opõem à saída da Grã-Bretanha da União Europeia
    Serviços de segurança russos detêm espião ucraniano preparado pela CIA
    Hackers descobrem mais de 100 brechas nos sistemas do Pentágono
    Tags:
    guerra cibernética, ataque hacker, ataque cibernético, cibersegurança, ciberespaço, Xi Jinping, Barack Obama, China, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik