16:59 07 Abril 2020
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    O comércio é um assunto importantíssimo na corrida eleitoral de 2016 nos EUA. Entretanto, as correspondências de Hillary Clinton e dos seus altos assessores, na época em que chefiava a diplomacia norte-americana, sobre o polêmico acordo comercial abrangendo 12 países, não será revelado ao público, pelo menos até à realização das eleições.

    A Administração Obama bloqueou de repente a publicação das mensagens da ex-chanceler sobre o acordo de livre comércio transpacífico (TPP, na sigla em inglês), depois de ter prometido revelar o conteúdo dos e-mails até final do último mês de maio.

    A decisão foi anunciada em resposta à edição estadunidense International Business Times, que apresentou o pedido de abertura do conteúdo das correspondências entre o gabinete da então chanceler dos EUA e o representante comercial dos Estados Unidos. O pedido, submetido ainda em julho do ano passado, especificava que seria de interesse público especial a revelação das conversas sobre o TPP.

    Respondendo ao pedido, o Departamento do Estado adiantou primeiro que ia atendê-lo até abril de 2016. Já na semana passada, foi comunicado que a chancelaria acabou de localizar as mensagens, porém a divulgação das informações seria adiada até o final de novembro, ou seja, algumas semanas depois das eleições presidenciais. O anúncio coincidiu com outra tentativa da Casa Branca de dificultar a prestação das informações: a administração de Obama entrou no processo judicial tentando barrar o projeto da lei que obrigaria as autoridades a responder com mais agilidade aos pedidos de revelação das informações referentes aos documentos da chancelaria do período de Clinton.

    A incoerência da presidenciável democrata quanto às negociações comerciais se repercutiu na campanha eleitoral: ela tem promovido várias vezes o acordo como Secretária de Estado, porém, em 2015, ela disse que "não trabalhou no TPP", mesmo tendo alguns cabogramas vazados da chancelaria provado que esta entidade governamental esteve envolvida na discussão diplomática do negócio. Criticada pelo seu rival nas primárias do partido democrático Bernie Sanders, Hillary disse, em outubro passado, que não apoia mais o acordo, e que nem o apoiava definitivamente desde o início das negociações.

    Mesmo que a secretária de Estado tenha revelado o conteúdo de alguns e-mails sobre o TPP, no âmbito de atendimento a outro pedido da revelação das informações, já o inquérito da IBT visava obter o entendimento integral do envolvimento de Clinton e de assessores dela nas preparações do acordo comercial, assim como verificar se a chancelaria sob comando da atual presidenciável, mexeu diretamente na elaboração do texto do documento. Sindicatos, organizações ambientais e grupos de consumidores dizem que o acordo ajuda as corporações a enfraquecerem o trabalho nacional, a preservação ambiental e outras leis de interesse público.

    Hillary Clinton, ex-secretária de Estado dos EUA e pré-candidata à presidência
    © AP Photo / Charlie Neibergall
    Hillary Clinton, ex-secretária de Estado dos EUA e pré-candidata à presidência

    Se o pedido for atendido nos últimos dias de novembro próximo, como a chancelaria está prometendo, os diplomatas demorariam 489 dias a comunicar a resposta. De acordo com as estatísticas, para responder a pedidos simples, a Secretaria de Estado precisa de uns 111 dias. Já os casos considerados complicados podem demorar muitos anos.

    "Acredito que tem mais ineficiência e incompetência de que dolo no assunto. De qualquer jeito é um erro grave não revelar os documentos ao público antes das eleições", dizem. "A inadimplência deles prejudica o processo democrático inteiro", criticam.

    De acordo com os comentários de especialistas do Arquivo Nacional, a situação revela um problema caraterístico da agência.

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    Tags:
    comércio, Acordo de Parceria Transpacífica (TPP), chancelaria, diplomacia, eleições nos EUA, Partido Democrata, Departamento de Estado dos EUA, WikiLeaks, Hillary Clinton, EUA
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