08:43 29 Outubro 2020
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    Os eleitores do partido político nacionalista de extrema direita francês Frente Nacional agora já não têm medo de declarar suas preferências eleitorais, confirma o diretor do Departamento de Opinião e Estratégia do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) Jérôme Fourquet.

    “Há alguns anos, a diferença entre o bruto e o ajustado em pesquisas sobre a Frente Nacional era especificamente importante. Nesta altura, o coeficiente de ajustamento dos votos na FN era de 2,4”, explica o professor de ciências políticas Alain Garrigou. Isso significa que era necessário multiplicar os resultados dos respondentes por esse valor para chegar a uma estimativa plausível. 

    O efeito da subdeclararão foi apresentado e discutido após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2002, quando, para surpresa de todos, Jean-Marie Le Pen ultrapassou o candidato Lionel Jospin e conseguiu consolidar sua presença no segundo turno. Dezenas de comentaristas explicaram então que os simpatizantes da FN tiveram uma espécie de vergonha em revelar suas preferências.

    Chegou um período de reabilitação do partido Frente Nacional, enquanto o sentimento de vergonha quase desapareceu. Esta tendência pode ter sido um fator que ajuda a abolir um tabu e a incluir o partido nas sondagens. “A audiência do partido Frente Nacional está difundida na sociedade francesa e o seu caráter vergonhoso, bem como de tabu, está bastante menos forte do que no passado”, afirma Forquet.

    Existe também uma razão técnica para isso. As pesquisas modernas são feitas sobretudo na internet, o que reduz o sentido de vergonha que os respondentes podiam sentir quando eram obrigados comunicar a sua preferência presencialmente. “As simulações de voto tornaram-se mais honestas.  Não sentimos vergonha perante um computador”, acrescentou. 

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    Tags:
    vergonha, sondagem, pesquisas, abolição, votação, tabu, Frente Nacional, França
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