08:15 15 Dezembro 2017
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    Participante de uma manifestação pro-Maduro em Caracas

    'Crise venezuelana será resolvida em breve'

    © AFP 2017/ JUAN BARRETO
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    Aleksander Chichin, decano da faculdade das ciências econômicas e sociais da Academia de economia popular e serviço público junto ao Presidente da Rússia, comentou a crise venezuelana em entrevista exclusiva à Sputnik.

    Os chanceleres da Argentina, do Chile, do Uruguai e da Colômbia se pronunciaram, em declaração conjunta, a favor da iniciativa da oposição venezuelana sobre a realização de um referendo a respeito do afastamento prematuro do presidente Nicolás Maduro. É a primeira vez, nos últimos 17 anos da história do país, que a oposição obteve a maioria dos mandatos no parlamento nacional. Maduro já classificou as tentativas de derrubá-lo como uma traição à Pátria e como uma tentativa de intervenção estrangeira nos assuntos internos do país.

    Segue o comentário do analista:

    "Já faz tempo que a mídia internacional mantém o país sob os holofotes da sua atenção. Esta atenção da imprensa representa mais um elemento de isolamento internacional do regime de Nicolás Maduro. Se trata mais da situação externa. O fato da oposição venezuelana se dirigir à OEA e da organização apoiar a iniciativa deles, aplicando à situação o artigo 20 da Carta Democrática em relação ao país, tudo isso sinaliza que Caracas pode ficar isolado, mesmo dentro deste organismo regional.
    A situação é muito séria. Claro, que isso não é certo até ao final da votação. Mas em 13 de junho a Assembleia Permanente da organização começará a examinar a situação na Venezuela, sua crise governamental e a violação da ordem constitucional do país, o que poderá resultar na suspensão da Venezuela da OEA.

    A organização, com sede em Washington, tem 36 países membros. Nem todos votarão contra a Venezuela. O Equador, a Bolívia e a Nicarágua, sem dúvida, apoiarão o presidente Maduro, pois são seus aliados tradicionais. Acredito que Cuba, se participasse da organização, também aderiria a este bloco. Assim como Cristina Kirchner, se permanecesse no poder, assim como Dilma Rousseff, se pudesse…

    Entretanto, a Venezuela tem mais aliados do que pode parecer. Entre eles estão outros 15 países membros da OEA, que integram também a Petrocaribe, que é uma aliança em matéria petroleira. Nos anos gordos, a Venezuela ajudou muito a estas nações, tais como Trinidade e Tobago e a Jamaica, que têm o mesmo poder na votação igual ao dos Estados Unidos e ao do Canadá.

    De acordo com as regras da OEA, para afastar um membro da organização é necessário obter uma maioria simples de votos favoráveis a essa decisão, ou seja, 19 países devem apoiar o afastamento. Três nações votarão certamente contra. Já em relação a estes 15 países caribenhos ainda não está tudo decidido.

    De um lado tem Maduro, que ajudou os muito. Já do outro está Obama, que nos últimos anos tem tomado ativamente na região medidas contra a "diplomacia petroleira venezuelana" <…>

    Se a maioria [dos membros da OEA] se pronunciar contra Maduro, ele ficará numa situação muito complicada. O país dele passara a ter uma reputação de Estado pária, igual à da Coreia do Norte. <…> Nesse caso, será muito alta a possibilidade de uma assistência militar muito forte à oposição parlamentar <…>

    Maduro ficará desesperado, sem qualquer ajuda do exterior.

    Os acontecimentos que evidenciamos estão muito bem planejados e coordenados. Se olharmos às publicações que apareçam na mídia, podemos observar que a situação se está desenrolando passo a passo, o que se parece a uma espécie de revolução colorida, ou seja, que as portas se vão fechando para o presidente venezuelano. Há uma convergência do ambiente regional em torno do país: como o comportamento da Colômbia, e até a posição de políticos moderados, como ex-líder uruguaio José Mujica, que sempre foi neutral e ponderado, mas que agora se manifestou pessoalmente contra Maduro, dizendo que "está louco". Tudo isso, inclusive as ações econômicas, por exemplo, o rompimento da conexão aérea com Caracas por parte da Lufthansa alemã, ou a suspensão do funcionamento da fábrica da Coca-Cola no país, entre outras medidas, evidencia a escalada de uma campanha bem planejada e elaborada contra Maduro. É difícil de eliminá-lo [por meios políticos internos], pois goza do apoio das forças armadas, da polícia e da justiça, a situação então está sendo agravada de fora, o que inspira a oposição.

    Concordo completamente com um jornalista ocidental que disse que a crise venezuelana não demorará e será resolvida em breve, de um ou de outro jeito".

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    Tags:
    parlamento, oposição, crise política, Carta Democrática, Assembleia Nacional da Venezuela, Petrocaribe, Organização dos Estados Americanos (OEA), Cristina Kirchner, Dilma Rousseff, Nicolás Maduro, Caribe, Venezuela
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