07:12 13 Dezembro 2017
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    As ilhas Curilas

    'Ilhas ou paz': Rússia não tenciona discutir isso eternamente

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    Recentemente, o chanceler russo Sergei Lavrov disse que o governo russo não pretende sacrificar as Curilas só para assinar um tratado de paz com o Japão.

    Mas ele deixou claro que Moscou continuará considerando válido o artigo 9º da Declaração conjunta soviético-japonesa de 1956 sobre a possibilidade de transferência para o Japão das ilhas Shikotan e dos ilhéus Habomai depois da conclusão de um tratado de paz. O especialista do Centro dos Estudos Estratégicos Anatoly Koshkin explica o que isso significa à agência Sputnik:

    "Em 1956, o líder soviético Nikita Khruschev concordou em entregar as ilhas Habomai e Shikotan, como um gesto de boa vontade, tendo em conta os interesses dos japoneses comuns, especialmente os pescadores. Ao mesmo tempo, ele disse que isto foi a concessão máxima e que Moscou se recusa a considerar outras pretensões territoriais do Japão. Percebendo isso, o primeiro-ministro japonês Ichiro Hatoyama, assinou a declaração conjunta, que foi depois ratificada pelos parlamentos de ambos os países. Os documentos mostram que a transferência das ilhas de Habomai e Shikotan era o objetivo final do governo japonês de então e que a apresentação das pretensões seguintes, relativamente a outras das Ilhas Curilas, foram incitadas pelos norte-americanos, nomeadamente pelo secretário de Estado John Dulles. Portanto, os governos do Japão e dos Estados Unidos têm a responsabilidade pelo fato de os acordos fixos na Declaração Conjunta não terem sido cumpridos".

    Respondendo à pergunta que se era possível hoje retornar à situação de meados dos anos 50, o especialista disse:

    Vista pela ilha Iturup
    © Sputnik/ Sergei Krasnouhov
    "Hoje, no caso de transferência para o Japão das Curilas do Sul, a Rússia perderia não apenas os territórios insulares, mas também 210.000 milhas quadradas de águas ricas em recursos biológicos e energéticos. Os japoneses percebem isso e têm isso em conta na análise da posição da parte russa. No entanto, agora os líderes russos concordam mesmo em negociar com base nas condições do ano de 1956. Contudo, esta posição pode se alterar se a grande maioria da população da Rússia se opuser a quaisquer concessões territoriais a favor do Japão. Já o governo russo não poderia resistir a isso".

    Anatoly Koshkin manifesta a sua teoria sobre o que o Japão deve fazer para manter Moscou nessa posição de reconhecimento da eficácia dos artigos da Declaração Conjunta sobre a transferência de Habomai e Shikotan:

    "O governo japonês deve fazer uma declaração de reconhecimento da situação territorial decorrente do fim da Segunda Guerra Mundial e a legalidade da soberania russa sobre todas as Curilhas. Ao mesmo tempo, deve desistir de todas as pretensões para a ‘devolução’ destas ou outras áreas, o que pode ser considerado como uma tentativa para mudar os resultados da Segunda Guerra Mundial".

    "As negociações exigirão a discussão de questões como a pesca na zona econômica de 200 milhas, o desenvolvimento de jazidas na plataforma continental das ilhas e a utilização das ilhas para fins militares. A última tem uma grande importância para a manutenção da aliança militar americano-japonesa e para as aspirações dos EUA a envolver totalmente o Japão na sua estratégia militar. A Rússia não pode ficar indiferente ao perigo de criação de bases militares norte-americanas hostis à Rússia nas Curilas e do controle por parte dos EUA dos estreitos das Curilas estrategicamente importantes", disse ele.

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    Tags:
    ilhas, Segunda Guerra Mundial, Sergei Lavrov, Curilas, Japão, Rússia
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