Economista sobre o TTIP: Europa não conseguirá resistir aos EUA

© AFP 2023 / TOBIAS SCHWARZA chanceler Angela Merkel vice-chanceler da Alemanha, Sigmar Gabriel
A chanceler Angela Merkel vice-chanceler da Alemanha, Sigmar Gabriel - Sputnik Brasil
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Os americanos provavelmente conseguirão atingir seus objetivos, disse à Rádio Sputnik o economista Mikhail Belyaev.

O ministro da Economia e vice-chanceler da Alemanha, Sigmar Gabriel, questionou, em entrevista à RND, a necessidade de novas negociações com os Estados Unidos sobre o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) e reprovou os passos demasiado apressados nessa direção da chanceler Angela Merkel.

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O vice-chanceler afirmou que o seu partido não aprovará o acordo com os Estados Unidos, que prevê padrões inferiores aos atualmente negociados em matéria de cooperação entre a Alemanha e Canadá. De acordo com o político, os alemães devem conhecer as verdadeiras intenções dos Estados Unidos, só então se pode dizer com certeza se vale a pena negociar sobre esta questão.

Mais cedo, nas margens da cúpula do G7 no Japão, Merkel disse aos jornalistas que Berlim quer finalizar o acordo sobre a criação da área de comércio livre transatlântico nas áreas básicas entre a UE e os EUA, bem como entre a UE e o Japão antes do final de 2016.

As negociações do TTIP continuam desde julho de 2013. Trata-se da criação da maior zona de livre comércio do mundo. Além dos EUA e dos países da UE, no projeto pretende entrar o Canadá, México, Suíça, Liechtenstein, Noruega e Islândia, bem como os países candidatos à adesão à UE.

A economista-chefe do Instituto do Mercado de Valores e Gestão Mikhail Belyaev acredita que o TTIP será uma “invasão económica” da Europa pelos EUA. Portanto, a posição do vice-chanceler alemão é justificada.

Entretanto, na sua opinião, os americanos serão capazes de atingir seus objetivos.

"Na situação atual, devemos reconhecer que, aparentemente, os EUA serão capazes de alcançar os objetivos expansionistas que eles estabeleceram para si próprios. O fato é que os Estados Unidos entendem que o fosso entre eles e o centro de poder asiático está aumentando e ainda vai ficar maior. Se trata da China, do Japão e de outros países asiáticos. Os Estados Unidos necessitam de consolidar os seus esforços e eles põem agora os olhos na Europa.

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A Merkel não resta outra coisa senão assinar os tratados e acordos. Talvez seja possível abrandar alguns pontos. Mas eu acho que serão pacotes e documentos padronizados, e, no final, Merkel será obrigada a aceitar tudo. E depois dela, aparentemente, todos os outros farão o mesmo", disse o economista.

A UE simplesmente não tem capacidade e vontade política para resistir à pressão de os EUA, disse ele.

"A Europa, em minha opinião, já esqueceu de como ela funcionava antes como um centro consolidado de poder. Ela agora está mergulhada em seus problemas e, até mesmo, talvez, em tendências de desintegração. A União Europeia está muito desunida e não tem nenhuma posição consolidada como centro de poder. Já os Estados Unidos têm uma forte linha quanto à continuação das conversações para a criação da parceria transatlântica. Esta é para eles uma direção estratégica, não podemos pôr isto em dúvida. Quanto à Europa, os EUA estão a agarrando firmemente e eles vão fazer tudo para não a deixar escapar", disse Mikhail Belyaev.

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