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    Os países europeus beneficiariam imensamente se ampliassem mercados novos na Eurásia, incluindo a Rússia e a China, em vez de abrirem bases novas de defesa antimísseis, disse o consultor estratégico americano F.William Engdahl.

    Introduzindo sanções contra a Rússia e ameaçando as vias marítimas da China, bem como cercando dois gigantes euroasiáticos com numerosas bases da OTAN, Washington só está acelerando a aproximação sino-russa e a cimentação da sua parceria.

    “O resultado é que a Rússia e a China estão forjando os laços econômicos de longo prazo na Eurásia, que ultimamente se tornará o ponto focal do crescimento econômico mundial, pois a nova Rota da Seda chinesa – “Um Cinturão, Uma Rota” – liga a Rússia, a China, o Irã e outras regiões da Eurásia com a rede nova de trens de alta velocidade e portos, links energéticos, gasodutos, infraestrutura de eletricidade”, escreveu Engdahl no seu artigo para a revista New Eastern Outlook.

    Engdahl lembra que, desde maio de 2014, Moscou e Pequim têm realizado uma séria de acordos importantes e mutuamente vantajosos. Por exemplo, o chamado gasoduto da Rota Oriental da Rússia iniciará fornecer anualmente 38 bi metros cúbicos de gás à China. Além disso, em novembro de 2014, os países concordaram a construir o gasoduto chamado Rota Ocidental que ligará campos de gás na Sibéria com a parte noroeste da China.

    Por fim, a China pode se tornar para a Rússia o maior mercado de exportações de gás, eclipsando a UE.

    Por outro lado, há relatos sobre planos da Corporação Nacional Petrolífera da China (CNPS, na sigla em inglês) de comprar a empresa russa Rosneft. Segundo as estimativas, em 2016, Moscou pode vender até 19,5 por cento das ações deste gigante petrolífero.

    Entretanto, o Irã premiou a Rússia com o projeto de $1 bi (R$ 3,5 bi) para a construção de cinco poços de petróleo offshore no golfo Pérsico, informou na quarta-feira (25) a edição online OilPrice.

    Mas isto não é tudo, nota o pesquisador americano.

    “Em 3 de maio, o diretor geral do projeto do Terminal de Exportação Yamal LNG fez um anúncio que certamente não alegrou guerreiros das sanções em Washington. O consórcio russo  assinou o contrato de empréstimo com os bancos chineses China Exim Bank e China Development Bank, que vai estender o empréstimo de 15 anos para o projeto com o valor de € 9,5 bi (R$ 37,7 bi), 75% da estimativa do financiamento total necessário a entrar na produção”, continuou o pesquisador.

    Engdahl destacou que em luz dos sansões introduzidos pelo Ocidente, o projeto Yamal pareceu pouco provável. Entretanto, depois Pequim interviu, não há obstáculos visíveis no caminho do projeto ambicioso.

    “Também importante nas condições do processo de de-dolarização, que tem lugar na Rússia, China, Irã e outros países euroasiáticos, os empréstimos chineses serão denominados em euro, nem em dólares”, enfatizou Engdahl.

    Em vez de introduzir sanções contra a Rússia e abrir as bases novas da OTAN na Europa, a UE deve saltar para a oportunidade de desenvolver novos mercados lucrativos na Eurásia, o que pode reanimar a economia europeia em estagnação mais do que a carga aumentada das despesas militares da OTAN.

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    Tags:
    parceria, mercado, sanções, OTAN, China, Irã, Eurásia, Rússia, EUA, UE
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