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    Presidente ucraniano Pyotr Poroshenko e o diretor do FMI, Christine Lagarde em Kiev, em 6 de setembro, 2015

    Oops, Ucrânia ainda não sabe o que significa cooperar com o FMI

    © REUTERS/ Valentyn Ogirenko
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    Embora o Fundo Monetário Internacional já tenha aprovado um novo crédito a Kiev, os ucranianos têm pouca razão de se alegrar, pois a nova tranche é menor do que era esperado e o governo nada diz sobre o preço que o povo terá de pagar.

    Recentemente, o ministro da Fazenda, Aleksandr Danilyuk, informou que Kiev aprovou o novo memorando de cooperação econômica e financeira com o Fundo Monetário Internacional, mas adicionou que este será divulgado ao público só depois de ser assinado.

    O líder do Partido Radical, Oleg Lyashko, quis ver o texto completo do que ele chamou “memorando de cooperação mortal”, assinado pelo primeiro-ministro Vladimir Groysman.

    “Vi estes documentos e eu sei  que eles preveem elevar a idade de aposentação e dar luz verde à venda de terras e facilidades estratégicas”, escreveu Lyashko na sua página na Facebook.

    “Isto dará cabo da nossa economia, com as pessoas aposentadas, porque elas simplesmente não são capazes de viver até aos 70 anos. Devemos nos esquecer de créditos do FMI completamente”, adicionou ele.

    Entretanto, a missão do FMI, dirigida por Ron Van Rooden, que completou o seu trabalho em Kiev na semana passada, elogiou “o progresso considerável” que a Ucrânia tinha feito no último ano para estabilizar a sua economia.

    O plano de salvamento de quatro anos para a Ucrânia previa originalmente quatro tranches de empréstimos a Kiev em 2015 e mais quatro em 2016.

    Até agora, a Ucrânia só recebeu a primeira tranche de $5 bi (R17,7 bi) e a segunda, de $1,7 bi (R6,03 bi). O FMI quer que Kiev, para receber a soma prometida, reduza as despesas e aumente as receitas, realizado reformas no mesmo tempo.

    Uma das condições mais principais é a reforma das aposentadorias e parece que Kiev concordou em elevar a idade de aposentadoria.

    “A esperança de vida na Ucrânia é a mais baixa na Europa, pois um em cada quatro ucranianos não vive bastante tempo para se aposentar. Mas o FMI exige que nos aumentemos a idade de aposentação e as autoridades estão prontas a fazer isto”, escreveu na sua página na Facebook Viktor Medvedchuk, líder do movimento Escolha Ucraniana.

    A privatização das empresas estatais é outra condição a destrancar os fundos do FMI para o governo ucraniano, que está com falta de dinheiro.

    A Suprema Rada tem duas semanas para aprovar a privatização de 400 empresas estatais, incluindo algumas do setor energético e petrolífero, que recentemente foram consideradas como estrategicamente importantes.

    “A venda de bens do Estado é o preço que a Ucrânia tem de pagar para obter uma esmola destes tubarões do crédito”, escreveu Medvedchuk.

    Por seu lado, a União Europeia exige a reforma do sistema de trânsito de gás, privando a Naftogaz das suas receitas de trânsito. O governo já prometeu fazer isto até o fim do ano.

    Isto significa que o Estado ucraniano vai perder o controlo sobre o setor de trânsito de gás, no momento em que a dívida estatal continua crescendo e agora equivale a $65,2 bi (R231,3 bi), cifra que vai obrigar algumas gerações ucranianas a trabalhar duro para a pagar.

    Tags:
    memorando, Fundo Monetário Internacional, UE, Ucrânia
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