11:35 19 Junho 2018
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    Militantes da Frente al-Nusra

    Ex-prisioneiro de islamistas sírios: ‘Com fome, comíamos tudo, só queríamos acordar vivos’

    © AFP 2018 / Fadi al-Halabi / AMC
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    A cidade de Adra, que foi controlada pelos militantes da Frente al-Nusra e do Jaish al-Islam a partir de dezembro de 2013, tem experimentado um verdadeiro terror.

    Jihadistas de Frente al-Nusra affiliada a Al-Qaeda's entram na cidade de Alepo no norte da Síria
    © AFP 2018 / Fadi al-Halabi / AMC
    Um prisioneiro fugido, que esteve na prisão at-Tauba da cidade de Duma, controlada por militantes do Jaish al-Islam (Exército Islâmico) naquela época, contou à agência de notícias Sputnik os detalhes da permanência dos reféns nas prisões sob controle de terroristas.

    Este residente de Adra, cujo nome não foi revelado por razões de segurança, acordou de manhã sem saber que na cidade haviam entrado militantes islâmicos armados. Segundo ele, após mensagens do seu vizinho, ele olhou da janela e viu na rua homens barbudos em roupas estranhas.

    "Fomos levados para a prisão at-Tauba na cidade de Duma. Quando chegamos, cada prisioneiro recebeu um número individual, e, em seguida, fomos levados para o trabalho. Nós escavamos trincheiras e túneis subterrâneos, afirmou o ex-prisioneiro.

    Os terroristas levaram à prisão 1.200 pessoas, entre os quais estavam não somente homens, mas também mulheres e crianças. Todos os prisioneiros trabalhavam para os terroristas: os homens estavam cavando túneis para os militantes, as mulheres costuravam a roupa e as crianças tinham que lavar pisos e pratos.

    Os terroristas não alimentavam os prisioneiros devidamente e os exploraram em diferentes trabalhos. Eles tinham direito de ir ao banheiro apenas duas vezes por dia, de manhã e à noite.

    "Nós éramos alimentados apenas uma vez por dia. A comida era podre e não servia para alimentação. Tudo o que os terroristas não podiam comer, eles entregaram a nós. Devido à fome tínhamos que comer tudo… apenas para acordar no dia seguinte" contou o ex-refém.

    Mesmo as mulheres eram torturadas. De acordo com uma testemunha, os militantes levaram algumas mulheres para a sala de tortura, de onde, em seguida, eram ouvidos gritos.

    "Eu tentei fugir várias vezes, mas não deu. Sempre algo impediu. No final das contas, uma noite eu consegui escapar. Eu corri para o lado onde ficaram as tropas governamentais sírias", concluiu ele.

    As tropas do governo sírio libertaram a cidade de Adra apenas no final de março deste ano. Muitas pessoas tinham fugido de Adra, tal como de outras cidades sírias. Mas depois da libertação da cidade, a gente começou a voltar.

    Em 11 de maio deste ano, no Conselho de Segurança da ONU, países como os Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Ucrânia bloquearam a iniciativa da Rússia de incluir os grupos extremistas armados Jaish al-Islam e Ahrar al-Sham na lista das organizações terroristas.

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    Tags:
    torturas, militantes, islamismo, terrorismo, fuga, prisioneiros, ONU, Jaish al-Islam, Frente al-Nusra, Síria
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