17:19 07 Dezembro 2019
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    Soldados norte-americanos numa base militar

    Será que EUA podem perder base militar no Índico?

    © AFP 2019 / Johannes Eisele
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    Os Estados Unidos continuarão usando a base militar na ilha britânica, opinou um especialista russo.

    O prazo de arrendamento pelos norte-americanos das suas maiores bases militares no exterior, localizadas na ilha britânica de Diego Garcia, expira no ano corrente. O cientista político e militar russo Andrei Koshkin partilhou com a Sputnik a sua opinião de que o Pentágono continuará usando a base.

    A ilha, que faz parte do arquipélago de Chagos, no oceano Índio, não é habitada, os seus habitantes foram expulsos para ilhas Seicheles e Maurícia.

    Manifestantes peManifestantes em Londres pedem que os deixem retornar à ilha de Diego Garcia. Foto de arquivo de 2008
    © AP Photo / Matt Dunham
    Manifestantes em Londres pedem que os deixem retornar à ilha de Diego Garcia. Foto de arquivo de 2008

    O acontecimento teve lugar em 1966, quando os EUA e Grã-Bretanha assinaram o acordo, segundo o qual o Pentágono obteve o direito de usar o arquipélago durante 50 anos, com a possibilidade de prorrogar o acordo por outros 20 anos.

    Enquanto isso, oficialmente os EUA nunca pagaram a renda. Algum tempo após o acordo entre os dois países ter sido atingido, apareceu a informação de que Londres teria cedido a ilha em troca de um desconto de 14 milhões de dólares no negócio de compra, pela parte britânica, de mísseis balísticos de baseamento submarino Polaris.

    O especialista russo Andrei Koshkin, que chefia a cátedra de ciência política e sociológica na Universidade Russa de Economia Plekhanov, opinou à Sputnik que a base na ilha de Diego Garcia é estratégica para os EUA e que nela foi investido um enorme montante de dinheiro.

    "Esta é uma das maiores bases fora dos EUA. Ela controle a direção da África e Ásia, o Oriente Médio. A partir dela, a aviação estratégica realizou ataques contra alvos no Afeganistão e Iraque. Esta é uma base militar naval fortíssima. Mais do que isso, a CIA [Agência de Inteligência dos EUA] também preparou lá uma prisão semelhante à de Guantánamo," disse.

    Koshkin notou também que na construção da base participaram só americanos, mas a estrutura militar é usada por britânicos, franceses e australianos. De acordo com ele, é impossível que os Estados Unidos deixem a base.

    "Parece-me que a questão da prorrogação nos finais de 2016 não será um problema, e em seguida, nos próximos 20 anos, será realizada uma série de medidas por parte dos EUA, que a Grã-Bretanha não poderá recusar, e a ilha continuará nas mãos do Pentágono", concluiu.

    Cabe mencionar que o High Court (Alto Tribunal) de Londres em 2000 decretou que os habitantes do arquipélago de Chagos ficaram expulsos ilegalmente e que, por isso, têm direito de retornar, mas não para a ilha de Diego Garcia. Quatro anos mais tarde, o governo britânico vetou a decisão.

    Koshin comentou esta parte da situação também à Sputnik, dizendo que os militares britânicos e americanos criarão todos os obstáculos possíveis para evitar o retorno de habitantes para a ilha, ou melhor, os descendentes daqueles que foram expulsos.

    Tags:
    opinião, base militar, Grã-Bretanha, EUA
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