05:56 24 Abril 2018
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    Osama bin Laden

    Osama bin Laden foi eliminado graças à CIA... Ou não?

    © AP Photo / Mazhar Ali Khan
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    Cinco anos atrás, o presidente norte-americano Barack Obama confirmou que “o terrorista número um” Osama bin Laden tinha sido eliminado por militares norte-americanos.

    Em 2 de maio de 2011, ele foi morto em um esconderijo nos arredores de Abbottabad, Paquistão, durante uma operação secreta realizada pelas forças especiais juntamente com a CIA. 

    Embora o fato da morte de bin Laden seja geralmente aceite, o cadáver do líder da Al-Qaeda nunca foi mostrado ao público e as circunstâncias da sua morte são postas em questão. 

    Versão oficial

    A CIA começou a vigiar a cidade de Abbottabad depois de notar lá um suposto mensageiro da Al-Qaeda. A vigilância levou a um prédio de três andares cercado por um muro de 5 metros de altura com arame farpado. As suspeitas dos americanos aumentaram quando souberam que na casa não havia nem telefone, nem Internet. Osama bin Laden deixou de usar telefone em 1998 quando as suas bases no Afeganistão e Sudão foram atacadas após deteção dos aparelhos por satélite.

    A operação, chamada Neptune Spear (Lança de Neptuno) foi iniciada numa noite sem luar. Às 23:30, dois helicópteros MH-60 Black Hawk com 23 soldados, um tradutor e um mastim a bordo dirigiram-se à fronteira paquistanesa. Eles foram seguidos por quatros helicópteros de reserva MH-47 Chihook. Durante o voo, os radares paquistaneses foram abafados.

    Inicialmente, Washington planejava prender o terrorista vivo para o julgar de acordo com todas as normas.

    No entanto, durante o assalto à casa começou um tiroteio, os soldados norte-americanos não sofreram perdas mas “o terrorista número um” foi morto a tiro na cabeça no seu quarto. Além disso foram mortos o filho de bin Laden, o mensageiro da Al-Qaeda, seu irmão e mulher.

    Depois de recolher os documentos, o cadáver foi levado a bordo. Toda a operação levou 40 minutos. 

    O análise do ADN confirmou que o homem eliminado era Osama bin Laden. O cadáver foi sepultado no mar Arábico para evitar peregrinações ao túmulo. 

    Passadas umas horas, Barack Obama interveio e disse que “a justiça está restabelecida”, fazendo lembrar os atentados de 9/11.

    Dúvidas cada vez maiores

    Passadas três meses após a operação, a revista New Yorker falou com alguns participantes do Neptune Spear, que disseram que a sua única tarefa era liquidar o terrorista:

    “Não havia vários pontos de vista sobre o que fazer com bin Laden, nunca houve sugestão de detenção ou prisão. Não precisávamos de prisioneiros”.

    Depois, o jornal britânico The Sunday Times publicou a informação, de acordo com a qual “o terrorista número um” tinha sido eliminado logo nos primeiros minutos da operação e não em resultado do tiroteio.

    Em 2013 foi publicado o livro “No Easy Day”, de Matt Bissonnette (pseudônimo Mark Owen) disse que Osama bin Laden não resistiu, embora tenha tido mais de 15 minutos após o helicóptero ter aterrado. Mas as armas até nem estavam carregadas.

    Uma outra versão dos acontecimentos teve repercussões em todo o mundo. O jornalista Seymour Hersh, ganhador do Prémio Pulitzer, publicou uma série de artigos no London Review of Books em que ele escreveu que, desde 2006, Osama bin Laden tinha sido vigiado pela inteligência paquistanesa, e que estava no país de fato como prisioneiro.

    Assim, a operação foi a liquidação de um preso e foi “feita coincidir com o início da campanha eleitoral do presidente Obama”.

    Os EUA propuseram 25 milhões de dólares pela informação sobre bin Laden. Um ex-funcionário da inteligência paquistanesa chegou à embaixada norte-americana em agosto de 2010 e disse onde estava o terrorista. “Foi assim que nós soubemos e não graças a algum informador ou aos ‘milagres’ da CIA”, disse Seymour Hersh na entrevista ao canal televisivo RT.

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    Tags:
    CIA, Osama bin Laden, EUA, Paquistão
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